Imagine viver em uma cidade tranquila, com pouco mais de 5,6 mil moradores, e descobrir que o subsolo guarda uma das maiores apostas econômicas do estado.
É exatamente esse o dilema que começa a se desenhar em Monte do Carmo, no interior do Tocantins, onde um projeto bilionário de mineração de ouro reacende uma história iniciada há quase três séculos — e levanta o temor de que a cidade precise ser literalmente escavada para que o ouro volte a sair da terra.
Cidade histórica do Tocantins pode ser impactada por megaprojeto de mineração de ouro
Fundada em 1741, Monte do Carmo nasceu a partir da descoberta de jazidas auríferas e chegou a ser um dos polos de mineração do antigo norte de Goiás. Com o esgotamento das minas, o município seguiu outro rumo e hoje tem perfil majoritariamente rural.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população vive espalhada por um território de cerca de 3,6 mil km², com baixa densidade demográfica e economia sustentada pela agropecuária e pelo setor público.
Esse cenário pode mudar com a chegada de um empreendimento avaliado em US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão), controlado pela Hochschild Mining. A empresa estima uma operação de 12 anos, com capacidade de processar até 6 mil toneladas de minério por dia. A expectativa do governo estadual é que o projeto gere aproximadamente 2 mil empregos diretos e indiretos, alterando de forma significativa a dinâmica econômica local.
O projeto ainda não entrou em fase de obras. Atualmente, passa por revisão de engenharia, etapa em que são definidos os detalhes técnicos da mina e do cronograma de implantação. No campo ambiental, o empreendimento já possui Licença de Instalação, além de autorizações para uso de recursos hídricos e supressão vegetal, concedidas pelo Instituto Natureza do Tocantins.
Informações: G1





