A ideia de que homens “sofrem mais” quando ficam gripados já virou piada recorrente em muitas famílias e nas redes sociais. A expressão popular conhecida como “gripe masculina” descreve a percepção de que homens costumam demonstrar sintomas mais intensos ou agir com mais fragilidade quando adoecem. Apesar do tom bem-humorado, o tema começou a despertar o interesse de pesquisadores.
Especialistas vêm tentando entender se essa diferença é apenas cultural — ou se existem fatores biológicos por trás do fenômeno. A discussão ganhou força porque estudos mostram que homens e mulheres podem reagir de forma diferente às infecções, tanto no corpo quanto na maneira de lidar com os sintomas.
Diferenças biológicas e sociais podem explicar a percepção
Parte da explicação pode estar no funcionamento do sistema imunológico. Pesquisas indicam que mulheres tendem a apresentar respostas imunológicas mais rápidas e intensas contra vírus e bactérias. Isso acontece, em parte, por influência de hormônios e fatores genéticos.
Alguns genes ligados à defesa do organismo estão presentes no cromossomo X — e como mulheres possuem dois, essa proteção pode ser ligeiramente mais eficiente. Além disso, o estrogênio costuma estimular a resposta imunológica, enquanto a testosterona pode reduzi-la.
Esse cenário ajuda a explicar por que homens podem apresentar infecções mais graves em alguns casos. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, eles registraram taxas maiores de hospitalização e mortalidade em diversos países.
Mas a biologia não conta toda a história. Fatores culturais também influenciam a forma como cada pessoa reage quando está doente. Muitos especialistas apontam que homens costumam buscar ajuda médica com menos frequência e, em geral, adotam menos medidas preventivas.
Por outro lado, muitas mulheres continuam mantendo suas atividades mesmo quando estão doentes, muitas vezes devido à sobrecarga de responsabilidades no trabalho e em casa.





