Uma nova e agressiva forma de demência vem mudando o que a ciência sabe sobre o envelhecimento do cérebro e acende um alerta para famílias e médicos. A condição, identificada recentemente por pesquisadores, afeta principalmente pessoas acima dos 65 anos e pode estar sendo confundida, há anos, com a doença de Alzheimer.
Batizada de LATE, a enfermidade já é considerada comum entre idosos muito longevos e está forçando a revisão de diagnósticos e tratamentos adotados até agora.
Nova demência silenciosa confunde diagnósticos e desafia tratamentos
A LATE — sigla para encefalopatia TDP-43 relacionada à idade — tem ganhado espaço em centros de pesquisa ao redor do mundo. Estudos indicam que ela pode atingir cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e até um terço dos idosos acima de 85. Em muitos casos, pacientes tratados como portadores de Alzheimer, na verdade, convivem com essa nova condição.
Especialistas explicam que a LATE costuma evoluir de forma mais lenta quando aparece sozinha, afetando principalmente a memória e a capacidade de encontrar palavras. O problema se torna mais grave quando ela surge associada ao Alzheimer. Nesses casos, o declínio cognitivo é mais rápido, intenso e acompanhado de sintomas considerados mais severos, como alterações de comportamento, psicose e perda do controle urinário.
Entenda a doença
Diferentemente do Alzheimer, que envolve o acúmulo das proteínas amiloide e tau, a LATE está ligada a depósitos anormais da proteína TDP-43 no cérebro. Essa diferença biológica faz com que exames tradicionais nem sempre consigam identificar corretamente a doença em vida, dificultando o diagnóstico preciso.
Outro desafio é o tratamento. Medicamentos aprovados recentemente para o Alzheimer não costumam funcionar em pacientes com LATE isolada, já que não atuam sobre a proteína envolvida na nova demência. Isso levanta dúvidas sobre a eficácia dos tratamentos atuais em idosos diagnosticados apenas com Alzheimer.
Pesquisadores já iniciaram os primeiros testes clínicos específicos para a LATE, buscando terapias capazes de proteger áreas do cérebro ligadas à memória, como o hipocampo. Enquanto isso, médicos alertam para a importância de avaliações mais detalhadas, especialmente em idosos com sintomas cognitivos atípicos.
A descoberta reforça uma mensagem clara: nem toda demência é Alzheimer — e entender essas diferenças pode mudar o futuro do tratamento e da qualidade de vida na terceira idade.





