Passar um terço da vida dormindo é normal. Em média, oito horas por dia. Dentro desse período, cerca de 25% é ocupado pelos sonhos. Embora a ciência ainda não tenha todas as respostas sobre sua função, pesquisadores acreditam que eles estão ligados à consolidação da memória e ao aprendizado.
Mas uma nova descoberta sugere que os sonhos podem revelar ainda mais sobre a saúde do cérebro. O neurologista Abidemi Otaiku, analisando dados de mais de 3.200 pessoas nos Estados Unidos, encontrou uma relação direta entre pesadelos recorrentes e o risco de desenvolver demência, especialmente na Doença de Alzheimer, responsável por até 70% dos casos.
O que a pesquisa revelou
- Pessoas de 35 a 64 anos que relataram pesadelos semanais tiveram quatro vezes mais chance de apresentar declínio cognitivo nos 10 anos seguintes.
- Entre os idosos acima de 79 anos, o risco de demência foi duas vezes maior.
- A associação foi mais forte em homens, enquanto para mulheres não houve diferença estatística significativa.
Sinal de alerta ou causa?
Segundo Otaiku, os pesadelos podem ser um dos primeiros sinais da doença ou até mesmo um fator que contribui para o desenvolvimento da demência. Ele defende que mais estudos são necessários para confirmar a hipótese.
“Os próximos passos da minha pesquisa incluirão investigar se pesadelos em jovens também podem estar associados a um risco aumentado de demência”, afirmou em artigo no site The Conversation.
O pesquisador também pretende estudar outras características, como a frequência com que lembramos dos sonhos e o grau de vividez, para entender melhor sua ligação com a saúde cerebral.Para ler o estudo completo, acessar o periódico eClinicalMedicine.





