Um novo relatório global produzido por 160 pesquisadores e cientistas de diferentes países indica que a Terra já ultrapassou o primeiro de uma série de pontos de inflexão climáticos considerados catastróficos.
O estudo, que reúne contribuições de universidades e institutos de pesquisa, afirma que os recifes de coral — um dos ecossistemas mais sensíveis ao aquecimento — já atravessaram um limite considerado irreversível.
Relatório internacional aponta que o planeta entrou em uma era de pontos críticos climáticos
Segundo os cientistas, esses pontos de inflexão representam mudanças abruptas e potencialmente permanentes no sistema climático. Nico Wunderling, professor da Universidade Goethe e pesquisador no Instituto Senckenberg, alerta que a ultrapassagem desses limites pode desencadear efeitos em cadeia entre diferentes sistemas da Terra, especialmente se o aquecimento global passar de 1,5°C nos próximos anos.
Os recifes de coral são apontados como o primeiro sistema a sofrer colapso, após enfrentarem desde 2023 o pior evento de branqueamento já registrado. Mais de 80% das estruturas foram afetadas, à medida que os oceanos atingiram temperaturas inéditas.
Cientistas alertam
Além da perda ambiental, os cientistas lembram que esses ecossistemas sustentam espécies marinhas, protegem regiões costeiras e movimentam bilhões na economia global.
Outros pontos críticos estão no radar: o derretimento acelerado das calotas polares, a possível transformação da Amazônia em uma savana e o risco de colapso da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, responsável por regular temperaturas em diversas regiões do planeta.
Tim Lenton, da Universidade de Exeter, afirma que o mundo está “se aproximando rapidamente de múltiplos pontos de inflexão”, enquanto políticas atuais ainda não contemplam mudanças tão bruscas.
Apesar dos cenários preocupantes, o relatório destaca avanços recentes em energias renováveis e tecnologias de baixo carbono. Os autores defendem ações climáticas imediatas para reduzir emissões e evitar que outros sistemas cruzem limites semelhantes, reforçando que as escolhas feitas agora terão efeitos duradouros sobre o futuro do planeta.





