O mercado global de cacau voltou a acender o sinal de alerta diante da possibilidade de um Super El Niño nos próximos meses. A preocupação com os impactos do fenômeno climático já provocou forte movimentação nas bolsas internacionais e pode refletir diretamente no bolso dos consumidores brasileiros, com potencial aumento nos preços de produtos à base de chocolate.
Em maio, os contratos futuros do cacau registraram alta expressiva na Bolsa de Nova York, principal referência mundial para a commodity. Os contratos de segunda posição avançaram 21,5% no período, alcançando uma média de US$ 4.107 por tonelada.
O movimento é impulsionado pelo receio de que as condições climáticas adversas prejudiquem a produção da safra 2026/27, cujo ciclo começa em outubro.
Fenômeno climático preocupa mercado internacional
A principal preocupação está concentrada no oeste da África, região responsável por aproximadamente 70% da produção mundial de cacau. Países como Costa do Marfim e Gana podem enfrentar períodos de seca mais intensos caso o Super El Niño se confirme.
Agências meteorológicas internacionais apontam aumento na probabilidade de ocorrência do fenômeno no segundo semestre de 2026. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) indicam 79% de chance de formação do El Niño entre junho e agosto.
Especialistas alertam que o fenômeno altera padrões de chuva e temperatura em diversas partes do planeta. No caso africano, o temor está relacionado ao fortalecimento do Harmatã, sistema de ventos quentes e secos vindos do deserto do Saara, capaz de reduzir as chuvas e comprometer o desenvolvimento das lavouras.
Diante desse cenário, consultorias do setor já revisaram suas projeções para a oferta global de cacau. A expectativa de excedente para a safra 2026/27 foi reduzida significativamente, reforçando as preocupações do mercado. Caso a produção seja afetada, a tendência é de pressão sobre os preços internacionais.





