No Brasil, uma prática de empréstimo digital tem chamado atenção por ser ao mesmo tempo prática e perigosa: empresas oferecem crédito imediato, mas, se o pagamento não é feito, o próprio celular do usuário pode ser bloqueado.
Esses apps usam um recurso chamado “kill switch” — literalmente, um botão que pode desligar ou travar o aparelho.
Como funcionam os empréstimos com bloqueio de celular
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o antivírus da Kaspersky identificou 88 mil apps desse tipo, 43 vezes mais que há dois anos. Empresas como Supersim exigem que o consumidor instale o aplicativo, que garante o pagamento do empréstimo, mas também permite o bloqueio do celular em caso de inadimplência.
Em maio de 2025, o TJDFT proibiu a Supersim de continuar oferecendo crédito com essa cláusula, considerando a prática abusiva e contrária ao Marco Civil da Internet.
A decisão prevê multa diária de R$ 100 mil caso o app continue disponível e R$ 10 mil por contrato irregular. A empresa recorreu ao STJ, que ainda analisa o caso.
Enquanto isso, outras empresas seguem oferecendo crédito com o mesmo modelo, como Juvo e Mister Money, disponíveis na Play Store. Não pagar a dívida pode gerar juros, multas, nome negativado e, no caso desses apps, bloqueio do celular. Isso tem levado consumidores a ações judiciais em busca de renegociação ou reparação.
Especialistas alertam: sempre leia o contrato antes de aceitar um empréstimo digital. Apps que travam o celular podem parecer simples, mas transformam pequenas dívidas em grandes problemas, afetando direitos básicos, como comunicação e acesso a serviços essenciais através do celular que é um item pessoal e indispensável nos dias de hoje.




