Um estudo apresentado nesta semana à bancada federal de Santa Catarina, em Brasília, acendeu um alerta no setor produtivo: a possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode provocar a demissão de cerca de 41,4 mil trabalhadores no estado nos próximos dois anos.
A projeção foi elaborada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) e surge em meio ao debate no Congresso sobre o fim da escala 6×1.
Demissão? Impacto direto no emprego e na economia estadual
De acordo com o levantamento, a mudança nas regras trabalhistas tende a elevar custos para as empresas, especialmente se não houver redução proporcional de salários. Setores intensivos em mão de obra, como alimentos e madeira, aparecem entre os mais vulneráveis. Essas indústrias empregam milhares de pessoas e dependem fortemente das exportações, enfrentando concorrência internacional acirrada.
A FIESC estima que as exportações catarinenses podem recuar 1,07%, com quedas mais acentuadas em carnes de aves e suína, além de produtos de madeira. O reflexo também chegaria ao Produto Interno Bruto (PIB) do estado, que pode encolher 0,6% no período analisado, com impacto maior na indústria.
Outro ponto destacado é a perda de competitividade. Segundo o estudo, países que competem com o Brasil mantêm jornadas maiores, o que pressiona preços e pode abrir espaço para o aumento de importações. A consequência, avalia a federação, é menor produção local e risco maior de cortes de postos de trabalho.
No cenário nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a redução da jornada pode elevar o custo da folha salarial em até centenas de bilhões de reais por ano, afetando principalmente micro e pequenas empresas, que têm menos margem para contratar novos funcionários ou absorver horas extras.
Embora defensores da medida apontem ganhos sociais e melhora na qualidade de vida, o estudo reforça que mudanças desse porte exigem transição cuidadosa.





