A implantação de uma política fiscal no Brasil, voltada para o aumento dos preços dos alimentos ultraprocessados, pode ter um impacto significativo na saúde pública. Um estudo, publicado na American Journal of Preventive Medicine, sugere que elevar os preços desses produtos em 50% poderia prevenir cerca de 1,8 milhão de novos casos de doenças crônicas e até 236 mil mortes até 2044.
Estas conclusões se baseiam em projeções de pesquisadores brasileiros que estudaram a associação entre o aumento do consumo desses alimentos e o crescimento do sobrepeso entre adultos no país.
Cenário atual
Atualmente, 57% dos adultos brasileiros estão com excesso de peso, segundo dados de 2021. Se essa tendência continuar, até 2044, 75% dos adultos poderão enfrentar esse problema.
No entanto, uma política de tributação mais agressiva pode reduzir essa previsão para 50%, aliviando a pressão sobre o sistema de saúde. A medida consistiria em aumentar os impostos sobre produtos ultraprocessados, como biscoitos e salgadinhos, para incentivar a redução do consumo.
Impactos financeiros e sanitários
A tributação dos ultraprocessados não apenas promete reduzir a incidência de doenças crônicas, mas também gerar impactos econômicos positivos. A diminuição nos tratamentos de doenças como diabetes e doenças cardíacas pode resultar em economia significativa para o sistema de saúde, liberando recursos para outras áreas prioritárias.
Obstáculos na implementação
Apesar dos potenciais benefícios, a implementação completa dessa política enfrenta desafios significativos. O lobby da indústria de alimentos pode impedir a inclusão abrangente de produtos ultraprocessados no Imposto Seletivo.
Previsto para entrar em vigor em 2027, o Imposto Seletivo incluirá bebidas açucaradas, mas exclui amplamente outros ultraprocessados. Críticos da medida afirmam que ela pode prejudicar financeiramente famílias de baixa renda, mas há um consenso crescente sobre seus benefícios de longo prazo para a saúde pública.





