O ano de 2025 caminha para terminar como um dos mais quentes da história moderna. Brasileiros devem se preparar para uma sequência de anos com temperaturas extremas, potencialmente acima de tudo o que já foi registrado. A avaliação é do observatório europeu Copernicus e de novos relatórios da Organização Meteorológica Mundial (OMM), reforçados pelo climatologista Carlos Nobre.
De acordo com os dados do Copernicus, 2025 deve fechar como o segundo ano mais quente já registrado, empatado com 2023 e atrás apenas de 2024. Novembro de 2025 foi decisivo, o mês ficou 1,54°C acima dos níveis pré-industriais, consolidando uma tendência de aquecimento que já coloca o planeta, pela primeira vez na história, acima de 1,5°C por três anos consecutivos.
Novembro de 2025: calor recorde e extremos pelo mundo
O relatório aponta que novembro foi o terceiro mais quente da série histórica, com anomalias intensas no norte do Canadá e no Oceano Ártico. O mês também registrou eventos extremos como ciclones no Sudeste Asiático, que deixaram mais de 1.100 mortos, e ondas de calor fora de época no Hemisfério Norte.
No Brasil, o cenário não foi diferente, sucessivas tempestades, enchentes e períodos prolongados de calor já são apontados como efeitos diretos da elevação das temperaturas globais.
OMM já alertava para anos “explosivos” até 2030
Os relatórios anuais da OMM divulgados em junho, e destacados por Carlos Nobre, já previam que a combinação entre El Niño, emissões de gases de efeito estufa e aquecimento dos oceanos poderia levar o planeta a uma sequência de anos recordistas.
Segundo Nobre, os documentos mostravam que até 2030 o mundo deve enfrentar os anos mais quentes já registrados, numa aceleração que não segue mais um padrão linear, mas sim exponencial.
Aquecimento do Ártico é 3,5 vezes maior que o do resto do planeta
Um dos pontos mais preocupantes é o comportamento do Ártico. Os relatórios indicam que, nos próximos cinco invernos (de novembro a março), o aquecimento da região será 3,5 vezes maior que a média global.
Isso colocará o Ártico 2,4°C acima da média do período de referência de 1991 a 2020, que já inclui parte considerável do aquecimento causado por ações humanas.
“O Ártico está reagindo muito mais rápido que o resto do planeta”, explica Nobre. “Isso tem impactos diretos nos padrões de chuva, nas ondas de calor e em eventos extremos nas regiões onde vive a maior parte da população mundial.”
Extremos se tornam regra
A elevação das temperaturas está diretamente associada ao aumento de eventos extremos, como:
- ondas de calor prolongadas;
- secas severas;
- enchentes e tempestades intensas;
- incêndios florestais;
- aumento do nível do mar;
- derretimento acelerado de geleiras.
Para o Copernicus, os números recentes “não são abstratos”: representam a velocidade inédita das mudanças climáticas.
O que esperar nos próximos anos
Climatologistas afirmam que a próxima década será “decisiva e perigosa”. Se as emissões globais não forem reduzidas imediatamente, a probabilidade de ultrapassar, mesmo que temporariamente, o limite de 1,5°C de aquecimento aumenta de forma significativa.
“A trajetória atual nos coloca perto de rupturas climáticas potencialmente irreversíveis”, afirma Nobre. “Não é previsão futura: os sinais já estão acontecendo diante dos nossos olhos.”
Brasil deve se preparar
Com a intensificação do aquecimento, especialistas recomendam que o Brasil se prepare para:
- verões mais longos e mais quentes;
- riscos maiores de apagões por sobrecarga elétrica;
- novas crises hídricas;
- maior pressão sobre sistemas de saúde;
- aumento de doenças sensíveis ao clima, como dengue;
- ondas de calor que podem ultrapassar recordes históricos em várias regiões.
“Se nada mudar, o calor dos próximos anos será não apenas desconfortável, será perigoso”, resumem os pesquisadores.





