A BYD, gigante chinesa dos veículos elétricos, opera em Zhengzhou um dos maiores complexos industriais automobilísticos do planeta. Com 10,67 km² de área total, a instalação equivale ao tamanho de 73 estádios do Maracanã, um número que ilustra a dimensão da ambição chinesa no setor de mobilidade elétrica.
O espaço abriga cerca de 57 mil trabalhadores, além de milhares de robôs responsáveis por manter uma das linhas de produção mais automatizadas do mundo. Segundo informações do setor, o índice de automação ultrapassa 98%, com mais de 2.000 robôs de soldagem operando simultaneamente.
A megafábrica simboliza o modelo industrial da BYD, que adota verticalização extrema: 70% dos componentes usados nos veículos, incluindo baterias, motores, chassis e até sistemas de ar-condicionado, são produzidos internamente. A estratégia reduz custos, acelera o desenvolvimento de novas tecnologias e minimiza dependências externas.
A planta também impressiona pela flexibilidade. As linhas são capazes de montar até 12 modelos diferentes ao mesmo tempo, seguindo a demanda do mercado global. Em 2024, o complexo produziu cerca de 545 mil veículos e já opera com capacidade média de 3.000 carros por dia. Para 2025, a BYD projeta atingir a marca inédita de 1 milhão de unidades por ano nessa mesma instalação.
O crescimento da empresa acompanha a estratégia nacional chinesa para dominar o mercado global de carros elétricos. Entre 2009 e 2023, o país investiu mais de US$ 230 bilhões em subsídios e incentivos para o setor, impulsionando empresas como a BYD, que em 2024 superou a Tesla em receita anual, alcançando US$ 107 bilhões.
Críticas à fábrica
Apesar dos avanços tecnológicos, a companhia enfrenta críticas. Investigações recentes relataram denúncias de condições degradantes de trabalho em obras e instalações relacionadas à marca em outros países, incluindo o Brasil, onde o Ministério Público do Trabalho resgatou trabalhadores submetidos a jornadas abusivas e alojamentos irregulares.
Mesmo com as controvérsias, o complexo de Zhengzhou segue como vitrine da capacidade industrial chinesa e da nova fase da indústria automobilística global, uma era marcada pela eletrificação, pela produção em larga escala e por megafábricas que superam cidades inteiras em tamanho e eficiência.





