Uma famosa marca de chocolates chegou ao fim após 141 anos de história. A Lammes Candies anunciou o encerramento definitivo de suas atividades, tornando-se um dos exemplos mais recentes da pressão econômica sobre o setor.
Fundada em 1885, a empresa construiu uma trajetória de muito sucesso e ganhou fama no mercado norte-americano, com operação baseada em lojas físicas e produção artesanal. Ao longo do tempo, consolidou uma base fiel de consumidores, especialmente em nível regional.
O que levou ao fechamento da empresa
O encerramento não está ligado a um único fator, mas a uma combinação de pressões que comprometeram a sustentabilidade do negócio.
O principal ponto foi a disparada no preço do cacau, matéria-prima central na produção de chocolate. Nos últimos anos, o insumo registrou forte valorização no mercado internacional, impactando diretamente os custos de fabricação.
Além disso, outros elementos ampliaram esse efeito:
- aumento no custo de ingredientes complementares, como açúcar e leite
- elevação de despesas operacionais, incluindo energia e logística
- dificuldade de repassar esses custos ao consumidor
Na prática, isso reduz a margem de lucro e torna a operação menos viável, especialmente para empresas com estrutura tradicional.
Como a alta do cacau impacta o setor
O funcionamento desse impacto segue uma lógica direta: quando o preço da matéria-prima sobe, o custo de produção aumenta. No entanto, o consumo de chocolate não acompanha esse movimento na mesma proporção.
Isso acontece porque o produto é classificado como consumo não essencial. Ou seja, em cenários de pressão econômica, o consumidor tende a reduzir esse tipo de gasto.
O resultado é um desequilíbrio:
- custos sobem rapidamente
- demanda cresce menos ou recua
- margens ficam comprimidas
Esse cenário cria um ambiente mais desafiador, principalmente para empresas que dependem de vendas em lojas físicas.
Nem produtos tradicionais evitaram a queda
Mesmo com um portfólio consolidado, a empresa não conseguiu reverter o cenário. Um dos principais produtos da marca era um doce à base de noz-pecã, o Texas Chewie Pecan Pralines, produzido desde o século XIX, que ajudou a construir sua identidade no mercado.
No entanto, a presença de itens icônicos como esse não foi suficiente para compensar o aumento estrutural dos custos e a redução no consumo.
Crise estrutural no mercado de chocolates
Especialistas apontam que o problema vai além de um caso isolado. O setor como um todo enfrenta uma combinação de fatores: encarecimento global de commodities, juros elevados, que restringem crédito e consumo, além de mudanças no comportamento do consumidor.





