A proposta de acabar com a escala 6×1 tem ganhado força no Brasil, e, à primeira vista, soa como um avanço direto na qualidade de vida do trabalhador que tem apenas um dia de descanso semanal nesse modelo de trabalho com 44 horas por semana. Mas há um ponto pouco discutido: a mudança não deve atingir todos os profissionais da mesma forma. Em muitas profissões, não haverão mudanças.
Profissões com regras próprias devem ficar de fora
Hoje, existem três propostas principais em tramitação no Congresso Nacional. Duas delas sugerem reduzir a jornada semanal para 36 horas, enquanto outra proposta do governo prevê 40 horas, todas com a promessa de manter os salários.
Em entrevista ao Terra, a advogada trabalhista Karinne Lima, destacou que apesar de visar a redução da carga horária de trabalho, as propostas mantêm as exceções que já existem hoje, ou seja, categorias que já não seguem controle rígido de jornada continuarão fora das mudanças.
Entre os principais casos estão:
- Cargos de confiança
- Trabalhadores externos sem controle de horário
- Profissionais com regimes especiais (advogados, pessoas que atuam na saúde, trabalhadores da área de segurança e outros que trabalham por plantão)
Além disso, áreas consideradas essenciais tendem a manter escalas diferenciadas.
Saúde, segurança e transporte seguem outra lógica de jornada
Setores como saúde, segurança, transporte e telecomunicações operam com modelos próprios de jornada, muitas vezes baseados em plantões, como o 12×36. Esses formatos devem continuar mesmo com eventual aprovação das propostas.
Isso acontece porque essas atividades exigem funcionamento contínuo, o que inviabiliza uma padronização simples da carga horária. Na prática, enquanto parte dos trabalhadores pode ganhar mais dias de descanso, outros seguirão com rotinas praticamente inalteradas.
CLT não cobre todos os trabalhadores
Outro ponto decisivo está no tipo de vínculo empregatício. Profissionais que não estão totalmente enquadrados na Consolidação das Leis do Trabalho também podem não ser impactados. Isso inclui, por exemplo, trabalhadores informais, autônomos e parte dos que atuam fora do regime tradicional.
Entenda as propostas
Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham no modelo de 44 horas, ou seja, na escala 6×1, com apenas um dia de descanso semanal. Ao mesmo tempo, aproximadamente 37 milhões cumprem jornadas acima de 40 horas, o que explica por que o tema ganhou tanta relevância no debate público.
Hoje, existem três propostas principais em tramitação no Congresso Nacional do Brasil. Duas delas sugerem reduzir a jornada semanal para 36 horas, enquanto outra proposta do governo prevê 40 horas, todas com a promessa de manter os salários.
Trata-se da PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que solicita o fim da escala 6×1, adotando uma carga de 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho e três de descanso. A outra é a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que visa a redução da jornada de trabalho para 36 horas de forma gradual no período de dez anos. Já o projeto do governo propõe a redução para 40 horas, com a jornada também sendo reduzida para 5 dias de trabalho na semana em vez de 6.
A lógica é simples: menos horas trabalhadas e mais dias de descanso. Na prática, isso significaria o fim da escala 6×1 para grande parte dos trabalhadores formais. Mas o ponto central está justamente nas exceções.





