Uma decisão recente, tomada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), surpreendeu a comunidade escolar por conta do impacto que pode causar ao ensino público do Brasil.
Conforme divulgado pelo portal g1, o órgão optou por encerrar o regime de tempo integral do Centro Pedagógico (CP), implementado originalmente em 2011, substituindo-o pelo parcial.
A transição está prevista para ser concluída em 2027. Em nota, a UFMG admitiu reconhecer a legitimidade das preocupações em torno da decisão, mas afirmou que ela derivou de um extenso processo de avaliação que vem sendo conduzido desde 2024.
Baseada nas análises de comissões institucionais e da Câmara de Graduação, a iniciativa tem como objetivo central enfrentar “limites de ordem acadêmico-pedagógicas, estrutural e orçamentária” identificados no atual modelo.
A faculdade reforçou que a resolução foi orientada “pelo compromisso com o interesse público” e que a proposta do novo projeto pedagógico é promover a equidade e assegurar condições que favoreçam o processo de aprendizagem.
Decisão de faculdade gerou repercussão negativa com famílias de alunos
Apesar das justificativas apresentadas para a deliberação, a UFMG foi amplamente criticada pelas famílias de alunos, que se uniram a estudantes universitários para fundar o Coletivo Famílias pelo Tempo Integral CP UFMG.
Uma das principais queixas é sobre a forma como o processo foi conduzido pelas instâncias da faculdade, tendo em vista que, originalmente, a decisão vinha sendo tratada apenas como uma possibilidade a ser avaliada nas reuniões do Conselho Comunitário.
Além disso, o Coletivo Famílias conduziu uma pesquisa que expôs os impactos socioeconômicos do fim do CP. Segundo o levantamento, desenvolvido em parceria com o Diretório Central dos Estudantes, ao menos 34% das famílias com filhos matriculados na instituição dependem do funcionamento em tempo integral, já que essa é a única forma de conseguirem trabalhar.





