Faltando pouco mais de duas semanas para a estreia da temporada 2026 da Fórmula 1, a categoria vive um momento de tensão que pode impactar diretamente o espetáculo justamente no ano em que a TV Globo volta a assumir a transmissão da principal categoria do automobilismo mundial.
A abertura do campeonato está marcada para o dia 8 de março, no GP da Austrália, em Melbourne. Mas o clima nos bastidores está longe de ser tranquilo.
Mudanças radicais para 2026 geram críticas
As alterações técnicas para a nova temporada foram planejadas por anos pela FIA com três metas principais:
- Atrair novas montadoras
- Ampliar a sustentabilidade
- Melhorar o equilíbrio competitivo
O novo regulamento aumenta significativamente a participação do motor elétrico, que passa a representar quase 50% da potência total do carro. Além disso, os combustíveis passam a ser 100% sustentáveis e de origem renovável.
A reformulação ajudou a manter marcas como Honda e atraiu gigantes como Ford (via Red Bull), Audi (Grupo Volkswagen) e Cadillac (General Motors).
No papel, a revolução parecia promissora. Na pista, porém, o cenário é outro.
Pilotos insatisfeitos e preocupações com segurança
Durante os testes de pré-temporada em Barcelona e no Bahrein, diversos pilotos demonstraram incômodo com as novas exigências técnicas.
Nomes como Max Verstappen e Fernando Alonso criticaram abertamente o regulamento.
Verstappen classificou o novo estilo de pilotagem como “antinatural” e comparou a categoria à Fórmula E. O atual campeão chegou a sugerir que pode deixar a F1 no futuro caso o formato não mude.
O brasileiro Gabriel Bortoleto também relatou dificuldades, principalmente nas largadas, que agora exigem contagem de tempo para que o motor atinja a rotação ideal.
Entre os principais problemas apontados estão:
- Necessidade de tirar o pé do acelerador antes das curvas para recarregar energia
- Perda de potência em retas
- Risco maior de colisões em largadas
- Complexidade excessiva no gerenciamento de energia
Novo sistema de ultrapassagem divide opiniões
O tradicional DRS foi substituído por um “modo de ultrapassagem”, que aumenta temporariamente a potência elétrica quando um carro estiver a menos de um segundo do adversário.
Também foi criado o botão “boost”, que pode ser usado tanto para atacar quanto para defender posição, desde que haja carga suficiente na bateria.
Apesar das novidades tecnológicas, pilotos relatam que o novo sistema pode não ser eficaz o bastante para gerar disputas reais, principalmente se houver grande diferença de desempenho entre motores.
Pressão antes da estreia
Com os últimos testes acontecendo nesta semana, a pressão aumenta para que ajustes sejam feitos antes da corrida inaugural na Austrália.
Para a Globo, que volta a apostar forte na Fórmula 1 em sua grade, o cenário é delicado: críticas públicas de pilotos, ameaça de abandono de estrelas e dúvidas sobre o espetáculo colocam em xeque o entusiasmo inicial.





