Cada vez mais comuns em aplicativos de delivery, fotos de alimentos geradas por inteligência artificial (IA) têm levantado questionamentos sobre a veracidade dos pratos exibidos e a relação entre restaurantes e consumidores. Usuários do aplicativo têm relatado que as imagens geradas por IA parecem um golpe porque se sabe que, na realidade, a comida não é daquela forma.
Segundo relatos nas redes sociais, plataformas como iFood e 99Food têm exibido cardápios com fotos que nunca existiram de fato, fruto do uso de ferramentas de IA acessíveis, como ChatGPT e Gemini, por pequenos empreendedores. O objetivo, apontam especialistas, é atrair clientes com apelo visual e reduzir custos com fotografia profissional.
Fotos irreais de comida perdem credibilidade
“Comemos com os olhos, mas o problema está no excesso e na falta de cuidado”, afirma João Finamor, professor de marketing digital da ESPM ao Estadão.
Ele explica que ajustes em imagens, como luz e enquadramento, são aceitáveis, mas a criação de pratos totalmente artificiais pode comprometer a confiança do consumidor. “Perder reputação por uma imagem de IA é, no mínimo, perigoso, especialmente para restaurantes menores”, alerta.
Consumidores também relatam impacto direto nas escolhas de compra. Fernanda Nigri, consultora de planos de saúde, diz que evita restaurantes cujas fotos parecem geradas digitalmente. “Quando vejo que é uma imagem criada com tecnologia, já rejeito a compra”, afirma. Guilherme Thomaz, gerente de projetos, acrescenta que a repetição de imagens entre diferentes estabelecimentos aumenta a sensação de engano.
Embora o uso de IA em fotos de comida ainda não seja proibido, especialistas alertam que a prática pode configurar propaganda enganosa se houver discrepância entre a imagem exibida e o produto entregue. O custo reduzido com imagens pode virar um tiro no pé quando a expectativa criada não corresponde ao que chega na casa do cliente.





