Uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal revelou a movimentação de R$ 26 bilhões por fintechs suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As empresas investigadas atuariam como uma espécie de “banco paralelo” da facção criminosa e registraram crescimento superior a 200% em apenas um ano, segundo as autoridades.
Batizada de Fluxo Oculto, a ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e teve como alvo seis fintechs instaladas na avenida Faria Lima, principal centro financeiro da capital paulista. A ofensiva cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as investigações identificaram o uso de criptoativos para lavagem de dinheiro e destacou que a Receita Federal intensificou o monitoramento das estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.
Investigação aponta uso de laranjas e empresas fantasmas
Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o PCC utilizava um esquema de abertura em série de empresas para sustentar fraudes envolvendo a compra e o desvio de solventes químicos.
Os promotores afirmam que parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até detentos eram usados como “laranjas” para registrar empresas que apareciam formalmente como compradoras dos produtos. Na prática, porém, os solventes eram desviados para a Grande São Paulo.
A investigação também identificou quatro fundos de investimento suspeitos de participação no esquema. Juntos, eles acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões.
As autoridades avaliam que a estrutura financeira criada pela facção permitia ocultar recursos ilícitos e ampliar a capacidade de atuação do grupo criminoso no país.





