Uma decisão recente do Parlamento da Alemanha reacendeu o debate sobre conservação ambiental e controle de espécies selvagens na Europa. Deputados aprovaram uma mudança na legislação que passa a permitir a caça controlada de lobos em determinadas épocas do ano, após o retorno gradual desses predadores ao território alemão nas últimas décadas.
Com a alteração na lei federal de caça, os animais poderão ser abatidos entre 1º de julho e 31 de outubro. A medida foi defendida pelo governo como uma forma de reduzir ataques a rebanhos e diminuir prejuízos enfrentados por criadores de animais.
Estima-se que atualmente existam cerca de 1,6 mil lobos vivendo em estado selvagem no país. A espécie havia desaparecido da região ainda no século XIX, mas voltou a aparecer a partir dos anos 2000, principalmente após a abertura das fronteiras europeias.
Ataques a rebanhos impulsionaram mudança na lei
De acordo com autoridades alemãs, a pressão para alterar a legislação aumentou depois de uma série de ataques registrados no campo. Em 2024, lobos teriam matado ou ferido cerca de 4,3 mil animais de criação em mais de mil ocorrências, gerando gastos de aproximadamente 23 milhões de euros em medidas de proteção para rebanhos.
A mudança também foi possível porque a proteção internacional do lobo foi flexibilizada. A Convenção de Berna sobre a Conservação da Vida Selvagem Europeia rebaixou recentemente o nível de proteção da espécie, o que abriu espaço para que países da União Europeia adotassem políticas próprias de controle populacional.
Apesar disso, a decisão divide opiniões. Ambientalistas alertam que a caça pode não resolver o problema dos ataques e ainda comprometer a recuperação da espécie.
Organizações como a WWF defendem alternativas, como cercas elétricas, cães de guarda e manejo mais rigoroso dos rebanhos. Para muitos especialistas, a discussão vai além da caça e envolve o desafio de equilibrar preservação da vida selvagem.





