Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade de Maryland alertam para uma falha grave: grande parte das comunicações via satélite circula sem criptografia e pode ser interceptada com equipamentos baratos e disponíveis comercialmente.
Com gravações automáticas e contribuições de campo, os cientistas coletaram milhares de transmissões desprotegidas. Embora tenham monitorado cerca de 15% dos satélites geoestacionários, os sinais analisados sugerem que uma parcela muito maior, possivelmente metade, é vulnerável à espionagem.
Como pesquisadores espiaram satélites
Em um levantamento de três anos, a equipe montou um receptor com peças de baixo custo — antena parabólica de US$ 185, suporte com motor de US$ 335 e placa sintonizadora de US$ 230 — e apontou o conjunto para satélites geoestacionários visíveis.
Os conteúdos interceptados variaram de chamadas e mensagens de clientes de telefonia até dados de navegação de passageiros, comunicações internas de empresas de energia e plataformas de petróleo. Entre os achados mais alarmantes estavam tráfegos militares — incluindo nomes e identificadores de embarcações dos EUA — e relatórios de inteligência e localização em tempo real vinculados a agências mexicanas.
A pesquisa também mostrou que muitos provedores usam enlaces via satélite para conectar torres e redes terrestres, e essas conexões frequentemente não têm proteção adequada: não foi preciso “invadir” sistemas, bastou sintonizar e escutar.
O trabalho será apresentado na conferência da ACM em Taiwan sob o título “Não Olhe para Cima”, referência irônica à crença de que ninguém verificaria os satélites.
Os autores recomendam revisão urgente de protocolos, implementação de criptografia de ponta a ponta, auditorias independentes e regras regulatórias que obriguem maior responsabilidade das empresas operadoras. Sem essas mudanças, parte da internet global continuará exposta — e acessível, direto do espaço. A solução exige ação rápida e coletiva.





