No domingo, 3, a Organização Mundial da Saúde divulgou a confirmação de um caso de hantavírus, além de cinco casos suspeitos de terem contraído a doença em um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico. Desses indivíduos, três morreram. Mas afinal, o que é essa enfermidade e o que ela causa no corpo da pessoa infectada? Continue a leitura e confira as respostas!
O hantavírus é uma infecção causada por vírus transmitidos por roedores. Ela não atinge o organismo de forma imediata e direta, mas segue uma progressão biológica específica, que começa com sintomas inespecíficos e pode evoluir rapidamente para um quadro crítico e afetar principalmente o sistema respiratório.
Como o vírus entra no organismo
O hantavírus geralmente infecta humanos por meio da inalação de partículas contaminadas presentes em fezes, urina ou saliva de roedores. Essas partículas ficam suspensas no ar, especialmente em ambientes fechados ou pouco ventilados.
Assim como mostrado em um estudo publicado na revista Nature, uma vez inalado, o vírus entra pelas vias respiratórias e inicia replicação no organismo, atingindo principalmente células endoteliais, estruturas que revestem os vasos sanguíneos e regulam a circulação.
Primeira fase: sintomas que imitam uma gripe
Nos primeiros dias após a infecção, o organismo responde de forma relativamente comum a infecções virais. O corpo começa a apresentar alguns sintomas semelhantes aos de uma gripe, o que, inclusive, dificulta o diagnóstico.
- febre
- cansaço intenso
- dores musculares
- dor de cabeça e mal-estar
O ponto de virada: comprometimento pulmonar
A fase crítica começa poucos dias depois, quando o vírus passa a afetar diretamente os pulmões. O mecanismo central envolve o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos. Em termos simples, isso significa que os vasos começam a “vazar” líquido para dentro dos tecidos, especialmente nos pulmões.
Esse processo gera um efeito direto de acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar), como destacado pelo New England Journal of Medicine. O efeito causa uma redução da capacidade de troca de oxigênio. É nesse momento que surgem sintomas mais graves, como tosse persistente, falta de ar progressiva e sensação de sufocamento.
Esse quadro explica relatos de pacientes que descrevem dificuldade extrema para respirar, como se o ar não fosse suficiente.
Vale destacar que em alguns casos, é necessário suporte intensivo, incluindo ventilação mecânica, já que não existe um tratamento antiviral específico para o hantavírus.





