O surto que atingiu o Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, interrompeu a rotina da unidade e mobilizou autoridades de saúde por semanas.
Profissionais, pacientes e acompanhantes começaram a apresentar sintomas respiratórios semelhantes a pneumonia, o que acendeu o alerta para uma possível infecção de origem ambiental. Ao todo, 141 pessoas entraram na lista de investigação, número que colocou o hospital no centro de uma força-tarefa estadual.
Fungo é responsável pelo surto; bactéria agravou dois casos
A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo concluiu que o fungo histoplasma foi o causador do surto. Ele apareceu em 33 amostras confirmadas por exames realizados no Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen) e na Fiocruz. O fungo costuma proliferar em ambientes com fezes de aves e morcegos; sua transmissão ocorre pela inalação de esporos, e não de pessoa para pessoa.
Os sintomas observados — febre, tosse, dores musculares e alterações em exames de tórax — são compatíveis com a histoplasmose, doença causada pelo fungo. A Sesa explicou que muitos testes iniciais deram negativo por causa do período de incubação, que pode atrasar a detecção dos anticorpos.
Paralelamente, dois casos mais graves chamaram atenção. Duas técnicas de enfermagem testaram positivo para a bactéria Burkholderia cepacia, um microrganismo típico de ambiente hospitalar e transmitido principalmente por água contaminada ou contato direto.
A bactéria já havia sido identificada em uma amostra de um bebedouro da unidade. Uma das profissionais também estava infectada pelo histoplasma, o que agravou ainda mais o quadro clínico.
Entre os 141 casos, estão 113 colaboradores, 17 acompanhantes e 11 pacientes. Três pessoas permanecem internadas, duas em UTI. Com a causa biológica definida, o próximo passo da investigação será apontar falhas estruturais internas que permitiram a contaminação e reforçar medidas de prevenção em outras unidades de saúde do Estado.





