Ligações de spam ou de números desconhecidos e indesejados fazem parte da realidade do brasileiro. Muitas vezes, por instinto, as pessoas acabam por recusar as ligações ao invés de deixá-las tocar, geralmente para evitar o som estridente do toque. Porém, essa ação pode gerar o oposto do efeito desejado.
A interação manual com o celular fornece dados valiosos para sistemas de discagem automática, como empresas de telemarketing e golpistas. Dessa forma, especialistas em segurança digital alertam que este não é o melhor meio de lidar com este inconveniente.
Esse tipo de ligação segue a lógica do “assédio telefônico”, em que algorítmos discam automáticamente para milhares de números para verificar quais possuem donos reais e ativos.
Não recuse chamadas de spam
Ao tocar no botão vermelho para rejeitar a chamada, o usuário acaba enviando um sinal imediato ao sistema do outro lado da linha. Na prática, isso informa ao algoritmo que aquele número existe, está ativo e que há uma pessoa acompanhando o aparelho naquele momento. O resultado é a chamada “validação” do contato, que passa a integrar listas de alvos considerados prioritários.
Além disso, a recusa manual costuma redirecionar a ligação para a caixa postal, o que funciona como uma segunda confirmação de atividade da linha. Para os robôs de discagem, isso aumenta as chances de novas tentativas em horários diferentes do dia, intensificando o incômodo.
O silêncio como melhor estratégia
A orientação técnica mais segura é simplesmente não interagir com a chamada. Deixar o telefone tocar até que a ligação seja encerrada automaticamente faz com que o sistema interprete o número como inativo ou pouco responsivo, reduzindo a probabilidade de novos contatos.
Atender e desligar rapidamente também não é recomendado. Esse comportamento cria uma conexão completa, o que confirma de forma ainda mais clara a presença de um usuário real do outro lado da linha. Segundo especialistas em segurança digital, essa ação é mais prejudicial do que apenas recusar a chamada.
Essas recomendações são defendidas por empresas internacionais de cibersegurança, como Norton e Kaspersky, e também por órgãos reguladores estrangeiros, como a FCC, nos Estados Unidos, responsável por fiscalizar o setor de telecomunicações no país.
Recursos oficiais e ferramentas disponíveis no Brasil
Além do comportamento do usuário, há formas mais eficazes de se proteger contra ligações indesejadas. Smartphones com sistemas Android e iOS já oferecem filtros nativos capazes de identificar, silenciar e bloquear automaticamente chamadas suspeitas, evitando que o telefone sequer toque.
No Brasil, a Anatel também disponibiliza mecanismos para combater o problema. Um dos principais é a plataforma Não Me Perturbe, que permite ao consumidor cadastrar seu número para bloquear ligações de operadoras de telecomunicações e instituições financeiras. Em setembro do ano passado, a agência passou a exigir a participação obrigatória de todas as operadoras no sistema.
Já em outubro, novas regras foram implementadas para coibir práticas abusivas, como o uso excessivo de robôs de discagem. As medidas incluem limites de chamadas por segundo e identificação mais rigorosa de empresas que descumprem as normas.





