O jogador de basquete Terry Rozier, que defendia o Miami Hiati, na posição de armador, está afastado da NBA a cerca de oito meses devido ao processo de investigação sobre a sua possível participação em manipulação para beneficiar apostadores. Diante de todo o emblóglio, o atleta pode perder a maior parcela de seu salário na temporada 2025/26: US$ 26,6 milhões de dólares (R$ 134,7 milhões na cotação atual).
O caso ganhou novo capítulo após uma decisão arbitral divulgada no fim de maio e revelada pelo jornal The New York Times. A resolução ampliou o impacto esportivo das acusações ao entender que restrições judiciais impostas ao atleta inviabilizam, na prática, o cumprimento normal de suas obrigações profissionais. O resultado é um cenário em que questões criminais, trabalhistas e esportivas passaram a se sobrepor.
O que Terry Rozier é acusado de fazer
As investigações apontam que Rozier teria participado de um esquema voltado a beneficiar apostadores por meio da manipulação de uma partida. Segundo as acusações, o jogador teria recebido inicialmente US$ 100 mil para deixar um jogo antes do término, interferindo em mercados relacionados a apostas esportivas.
De acordo com as apurações, o valor final recebido teria caído para US$ 70 mil após perdas registradas pelos envolvidos no esquema. Mesmo assim, o montante investigado representa uma fração muito pequena quando comparado ao risco financeiro atual: o armador corre o risco de comprometer uma remuneração centenas de vezes maior.
Atualmente, Rozier responde a três acusações: fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, suborno esportivo e conspiração para fraude. A defesa contesta a primeira acusação e as demais seguem em tramitação judicial.

Como restrições judiciais passaram a ameaçar o contrato milionário
O centro da disputa jurídica não está apenas nas acusações. Parte importante do problema surgiu por causa das condições impostas à liberdade provisória do jogador.
Entre as restrições estabelecidas, Rozier ficou proibido de manter contato com pessoas ligadas ao Charlotte Hornets, equipe que defendia no período em que o suposto esquema teria acontecido. Esse detalhe gerou consequências esportivas maiores do que o esperado.
A arbitragem entendeu que, se o atleta não pode interagir normalmente com integrantes de uma franquia da NBA associada ao caso, sua capacidade de prestar serviços profissionais fica comprometida. Esse entendimento abriu precedente para que parte relevante do contrato fique ameaçada.
O jogador havia sido dispensado pelo Miami Heat em abril e sequer entrou em quadra pela franquia durante a temporada.
Defesa tenta reverter cenário para evitar nova temporada parado
Os advogados do armador trabalham em duas frentes simultaneamente: reduzir as restrições judiciais e derrubar a interpretação adotada pela arbitragem.
A estratégia passa por flexibilizar as regras de contato impostas ao jogador e recuperar sua elegibilidade esportiva, permitindo que ele negocie um novo vínculo profissional durante a próxima janela de movimentações da NBA.
Em recurso apresentado à Justiça, o advogado Jim Trusty argumentou que a situação atual gera punições indiretas antes mesmo de eventual condenação. A sua ideia é reverter a situação para que o atleta possa voltar a atuar profissionalmente.





