A Medicina segue avançando a passos largos, e a Oncologia é uma das áreas que mais se beneficiam dessas inovações. Uma das notícias muito promissora envolve a biópsia líquida, um exame de sangue que, no futuro próximo, poderá detectar o câncer com mais precisão, rapidez e menos invasão do que os métodos tradicionais.
Segundo o oncologista clínico Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or e professor da Faculdade de Medicina da USP, faltam apenas alguns anos para que esse tipo de exame passe a fazer parte da rotina médica, ajudando na detecção precoce de tumores, na definição do tratamento e no acompanhamento da evolução da doença.
O que é a biópsia líquida?
Atualmente, para identificar as características de um tumor, é necessária a biópsia tradicional, procedimento que retira uma parte do tecido afetado para análise em laboratório. Embora eficaz, esse método pode ser invasivo, complexo e, em alguns casos, arriscado, especialmente quando o tumor está em áreas de difícil acesso ou quando o paciente possui outras comorbidades.
A biópsia líquida, por sua vez, utiliza apenas uma amostra de sangue para identificar fragmentos do DNA tumoral que circulam na corrente sanguínea. Com isso, o exame dispensa cirurgias, reduz riscos e acelera o diagnóstico.
Tecnologia que impulsiona tratamentos modernos
O avanço da biópsia líquida é essencial para o sucesso dos tratamentos mais modernos contra o câncer. Hoje, terapias como imunoterapia, terapia-alvo e anticorpos conjugados dependem de uma análise molecular precisa das células tumorais.
“A biópsia líquida não é ficção científica. Já existem exames disponíveis no mercado, mas ainda produzem muitos resultados falso-positivos e falso-negativos, o que limita seu uso rotineiro”, explica Paulo Hoff. Segundo ele, o desafio atual é refinar as tecnologias já existentes, e não criar algo totalmente novo.
Como a ciência chegou até aqui
A busca por detectar o câncer por meio do sangue não é recente. Desde o século passado, pesquisadores tentam identificar biomarcadores tumorais. Nos anos 1990, por exemplo, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou o exame PSA para rastrear o câncer de próstata, mas os marcadores isolados não permitiam uma análise completa do tumor.
Com o avanço da tecnologia, cientistas passaram a estudar fragmentos de células cancerígenas liberadas na corrente sanguínea. Embora muitas dessas células sejam destruídas pelo próprio organismo, seus resíduos permanecem no sangue, possibilitando a análise do DNA tumoral, um marco decisivo para o desenvolvimento da biópsia líquida.
Hoje, já existem ferramentas capazes de separar esse material genético das células normais, permitindo uma leitura detalhada das alterações do tumor.
Benefícios que vão além do diagnóstico
A detecção precoce do câncer, antes mesmo do surgimento de sintomas, é apenas uma das vantagens da biópsia líquida. O exame também pode:
- Auxiliar na escolha do tratamento mais eficaz;
- Monitorar a resposta do paciente em tempo real;
- Avaliar a necessidade de terapias complementares;
- Ajudar a identificar a origem do tumor em casos de metástase extensa.
Esse acompanhamento contínuo pode ser decisivo em tratamentos longos, como no câncer de mama, que muitas vezes exige terapia hormonal por até dez anos.
Um avanço comparável à revolução da aviação
Para Paulo Hoff, o impacto da biópsia líquida na Medicina será comparável a grandes marcos da história.
“É como assistir aos primeiros voos do 14 Bis e imaginar que, décadas depois, pessoas cruzariam continentes em aviões a jato. Estamos vivendo algo semelhante na Medicina”, compara o oncologista.
Custo elevado, mas com grande impacto
Por se tratar de um exame altamente sofisticado, o custo da biópsia líquida tende a ser elevado. Ainda assim, especialistas destacam que o impacto positivo pode ser ainda maior ao reduzir tratamentos desnecessários, encurtar processos longos e diminuir o desgaste emocional dos pacientes.
“Ela pode poupar não só recursos financeiros, mas também o estresse, a ansiedade e a angústia de quem enfrenta o câncer”, ressalta Hoff.
Sobre a Oncologia D’Or
A Oncologia D’Or atua com mais de 60 clínicas em 12 estados e no Distrito Federal, reunindo mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia. Integrada à Rede D’Or, a instituição oferece um cuidado completo, personalizado e baseado nas terapias mais avançadas, acompanhando o paciente desde o diagnóstico até a recuperação.
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