O sistema digital do Instituto Nacional do Seguro Social, o Meu INSS, tem apresentado falhas recorrentes e dificultado o acesso de milhões de segurados que dependem da plataforma para pedir aposentadoria, benefícios e acompanhar processos.
A ferramenta reúne mais de 100 serviços e registra cerca de 100 milhões de acessos mensais. Mesmo assim, usuários relatam problemas frequentes, como lentidão, travamentos, erros no envio de dados e dificuldades de navegação.
Sistema instável, negativas automáticas e fila ainda elevada
Um dos principais pontos de atenção é a análise automática dos pedidos. Auditoria interna apontou que mais da metade dos mais de 543 mil requerimentos avaliados por sistema foi negada, o que levantou dúvidas sobre a precisão dos filtros usados na concessão de benefícios.
O tema chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou mudanças no modelo de concessão automática em até 180 dias, citando falhas no processo e impacto direto na fila de espera da Previdência.
Mesmo com redução recente, a fila ainda ultrapassa 2 milhões de solicitações. Especialistas alertam que parte dos segurados pode nem conseguir concluir o pedido por falhas de acesso, o que afeta a contagem oficial de demandas.
Outro problema recorrente está no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), base que reúne vínculos e contribuições. Inconsistências nesses registros podem gerar negativas automáticas ou exigências adicionais, atrasando a liberação dos benefícios.
Servidores também relatam dificuldades estruturais nas agências, como falta de pessoal e equipamentos defasados.
O INSS e a Dataprev afirmam que o sistema opera com alta disponibilidade e que eventuais falhas são pontuais. Segundo os órgãos, as análises automáticas seguem regras legais e cruzamento de dados oficiais.
Para evitar problemas, o INSS orienta que o segurado revise informações no Meu INSS, confira o CNIS e envie documentos corretamente antes da análise do pedido.





