No meio da imensidão da Floresta Amazônica, fenômenos naturais continuam surgindo em regiões de difícil acesso e impressionando até mesmo cientistas experientes. Um desses casos recentes envolve formações circulares no leito de um rio no interior do Amazonas, que chamaram atenção não apenas de moradores locais, mas também de pesquisadores que estudam a geologia da região.
As estruturas foram registradas no Rio Mutum, em Presidente Figueiredo, a mais de 100 quilômetros de Manaus, e se destacam por um padrão incomum: buracos quase perfeitamente circulares, alinhados e distribuídos ao longo do leito rochoso. Esse tipo de formação já era conhecido em nível local, mas ganhou visibilidade ao ser observado de forma mais ampla por expedições e registros recentes.
O que exatamente foi encontrado na floresta
As formações são conhecidas na região como “marmitas” ou “panelas”, um termo popular usado para descrever cavidades esculpidas na rocha ao longo do tempo. Quando vistas de cima, elas formam círculos quase geométricos. Já na altura da água, criam a impressão de pequenas piscinas naturais encaixadas na pedra.
Em alguns pontos, o conjunto dessas estruturas aparece organizado em sequência, o que reforça a sensação de padrão, como se tivesse sido planejado, embora a origem seja totalmente natural.

Como essas formações se desenvolvem
De acordo com o portal Terra, a especialista em geodiversidade, Isabela Apoema, em 2013, disse que o processo está relacionado à ação contínua da água em contato com a rocha ao longo de milhares de anos. A correnteza, somada ao transporte de sedimentos e pequenos fragmentos minerais, cria um efeito de erosão progressiva.
Esse movimento constante funciona como um mecanismo de desgaste localizado: a água não atua de forma uniforme, mas em pontos específicos do leito do rio, aprofundando cavidades que podem crescer ao longo do tempo. O resultado é a formação de buracos que variam em tamanho e profundidade, mas mantêm o formato arredondado.
O que isso revela sobre a Amazônia
A presença dessas formações reforça uma característica central da região: a existência de processos geológicos ativos e contínuos moldando o território em escala de tempo longa. A Amazônia não é apenas uma floresta em superfície, mas também um ambiente em constante transformação abaixo da linha d’água.
Isso significa que parte do que parece “inexplicável” à primeira vista já faz parte de dinâmicas naturais conhecidas da geologia, ainda que nem sempre observáveis em tempo real.





