Uma mudança nas regras acendeu alerta entre trabalhadores sobre como o salário é recebido no fim do mês. A nova legislação autoriza que instituições financeiras passem a cobrar taxas sobre contas usadas para o pagamento de salários, algo que até então era proibido. À primeira vista, a discussão lembra debates comuns no Brasil, mas a medida não vale para trabalhadores brasileiros.
A alteração faz parte de uma ampla reforma trabalhista em discussão na Argentina, conduzida pelo governo do presidente Javier Milei. O projeto modifica pontos centrais da Lei de Contrato de Trabalho e muda, de forma direta, o funcionamento das chamadas “contas salário”, historicamente isentas de tarifas no país.
O que muda no pagamento dos salários
Até agora, a legislação argentina determinava que o salário fosse depositado em uma conta enquadrada no regime de “cuenta sueldo”, supervisionado pelo Banco Central. Esse modelo garantia abertura gratuita, manutenção sem custos e saques ilimitados, assegurando que o trabalhador tivesse acesso integral ao valor recebido.
Com a nova redação, o salário continuará sendo pago por meio de depósito bancário, mas a lei deixa de exigir que a conta seja gratuita. Na prática, bancos e plataformas financeiras passam a ter liberdade para definir tarifas de manutenção, saques ou outros serviços vinculados à conta.
Outro ponto relevante é a ampliação da concorrência. A reforma permite que carteiras digitais e fintechs, antes impedidas, passem a administrar o pagamento de salários. Isso intensifica a disputa entre bancos tradicionais e aplicativos financeiros por um mercado considerado estratégico.
Segundo dados do Banco Central argentino, existem cerca de 20 milhões de contas salário ativas no país. Esses clientes são valiosos por concentrarem renda fixa e abrirem espaço. Para os trabalhadores, o risco é a redução do salário líquido.





