Em breve acontecerá um fato um tanto raro no Brasil: o governador do Rio de Janeiro será escolhido por meio de eleição indireta, que é quando os deputados estaduais fazem uma votação entre eles e decidem quem será o líder do estado, em vez da população fazer essa escolha.
Esse mecanismo será aplicado devido à chamada “dupla vacância”, quando tanto o governador quanto o vice deixam seus cargos antes do fim do mandato. Nessa situação, a legislação determina que a escolha do substituto seja feita pela Assembleia Legislativa, e não por eleições abertas ao público.
Como será feita a escolha do novo líder
A votação será conduzida pela Assembleia Legislativa do estado, que funcionará como um colégio eleitoral. O processo segue regras específicas:
- Os candidatos devem formar uma chapa com governador e vice
- É necessário ter mais de 30 anos, filiação partidária e domicílio eleitoral no estado
- A votação ocorre em sessão extraordinária
- Vence quem alcançar maioria absoluta no primeiro turno (no mínimo 36 votos entre os 70 deputados estaduais) ou maioria simples no segundo
Esse formato transforma a disputa em um processo de articulação política, sem campanhas eleitorais tradicionais ou participação direta do eleitorado.
Mandato será temporário
O governante escolhido por eleição indireta não inicia um novo mandato completo. Ele assume apenas para cumprir o período restante da gestão em curso. No cenário previsto, o novo governador ficará no cargo até o fim de 2026, quando ocorrerão eleições regulares com voto direto da população.
Papel da Justiça e mudanças nas regras
O processo também pode ser influenciado por decisões judiciais, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode definir pontos relevantes, como o formato da votação e critérios de elegibilidade.
Entre os temas que já foram discutidos estão:
- A possibilidade de voto secreto entre os deputados
- A exigência de prazos para desincompatibilização de cargos públicos
Essas definições impactam diretamente o perfil dos candidatos e o equilíbrio da disputa.
Impactos políticos e institucionais
A eleição indireta concentra a decisão nas mãos do Legislativo, favorecendo candidatos com maior capacidade de articulação política. Ao mesmo tempo, reduz a participação direta da população no processo.
Embora esteja prevista na legislação, essa modalidade costuma gerar debates sobre legitimidade democrática, já que o eleitor não participa diretamente da escolha do governante.





