O bloco BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países emergentes, está testando a criação de um sistema próprio de pagamentos instantâneos, o BRICS Pay, apelidado de “pix do Brics”. A proposta busca baratear transferências internacionais, aumentar a segurança das operações e reduzir a dependência do dólar no comércio entre as nações integrantes.
Como funciona o BRICS Pay?
Ainda em fase piloto, o sistema utiliza o Decentralized Cross-border Messaging System (DCMS), tecnologia inspirada no blockchain. Diferente do modelo centralizado do SWIFT, essa rede distribui a validação das mensagens financeiras, o que amplia a segurança e diminui custos.
Outro diferencial é a interoperabilidade com o Pix brasileiro. A ideia é que, no futuro, um turista estrangeiro consiga pagar um restaurante em São Paulo apenas escaneando um QR code com a carteira digital de seu país, e que brasileiros possam realizar compras no exterior da mesma forma.
Segundo Andrey Mikhaylishin, membro da força-tarefa de pagamentos e fintechs do BRICS, já existem testes-piloto em andamento com parceiros estratégicos. O lançamento oficial é cogitado para setembro de 2025.
Além dos cinco membros fundadores (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o BRICS Pay deve contar também com os novos integrantes que passaram a fazer parte do bloco em 2024: Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Argentina. Ao todo, o sistema de pagamentos envolverá 11 países, ampliando significativamente o alcance da iniciativa.
Questão política e econômica
Apesar do entusiasmo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o projeto ainda está em nível “exploratório” e dependerá de diálogo com órgãos reguladores, como o Banco Central do Brasil.
Para os países do bloco, a criação do BRICS Pay representa mais autonomia e eficiência nas transações financeiras. Mas, para os Estados Unidos, o avanço da iniciativa soa como ameaça direta à força do dólar.
Reação dos EUA
O presidente americano Donald Trump classificou o BRICS como um “grupo antiamericano” e alertou que qualquer iniciativa para reduzir o uso do dólar “enfraquece os EUA”. Como resposta, o governo Trump já impôs tarifas de 10% sobre as importações brasileiras e chegou a abrir uma investigação contra o Pix, acusando o sistema de criar barreiras a empresas norte-americanas.
Na prática, a disputa em torno do BRICS Pay vai além da inovação financeira: trata-se de um novo capítulo na guerra geopolítica entre economias emergentes que buscam mais independência e os Estados Unidos, determinados a proteger a supremacia da moeda americana.





