Uma empresa do Distrito Federal ficou sem acesso a cerca de R$ 2 milhões após ter a conta bancária cancelada pelo Nubank em um intervalo de apenas 14 minutos. O valor, pertencente a um centro de estética, permaneceu bloqueado por aproximadamente quatro meses e só foi liberado após decisão judicial.
De acordo com informações do processo, a primeira notificação foi enviada pela fintech às 18h12 do dia 3 de janeiro. A mensagem informava que a conta seria encerrada. Ao receber o aviso, os responsáveis pela empresa entraram em contato com o atendimento da plataforma e encaminharam os documentos solicitados para análise.
Pouco tempo depois, às 18h25, o Nubank comunicou que novas movimentações consideradas suspeitas haviam sido identificadas. Um minuto depois, às 18h26, a instituição informou o cancelamento definitivo da conta, impossibilitando qualquer acesso ao saldo depositado.
Justiça determina devolução do dinheiro
O valor bloqueado havia sido transferido no mesmo dia e correspondia a uma restituição tributária liberada pela Receita Federal. O repasse foi feito por meio do Banco do Brasil, informação que, segundo a defesa da empresa, poderia ter sido verificada facilmente pela instituição financeira.
Mesmo assim, o dinheiro permaneceu indisponível até que a Justiça analisasse o caso. Na decisão, a juíza Márcia Alves Martins Lôbo afirmou que o banco digital não apresentou provas de irregularidade nas transações nem demonstrou ter comunicado autoridades sobre possível atividade ilícita.
Segundo a magistrada, o bloqueio prolongado e o encerramento da conta não estavam devidamente fundamentados. A legislação prevê que bloqueios preventivos durem, em geral, até 72 horas, período destinado à análise de eventuais suspeitas.
Em nota à imprensa, o Nubank informou que não comenta casos específicos por motivos de sigilo bancário. A empresa afirma que utiliza sistemas automáticos de monitoramento e que bloqueios podem ocorrer quando são detectadas movimentações consideradas incompatíveis com o perfil do cliente.





