Um encontro improvável nas águas cristalinas do Caribe colocou a ciência em alerta — e em fascínio. Pescadores esportivos flagraram um tubarão-lixa de coloração laranja intensa, algo nunca antes documentado. O animal foi encontrado próximo ao Parque Nacional Tortuguero, na Costa Rica, fotografado e devolvido ao mar logo depois.
O registro, feito a cerca de 37 metros de profundidade, só ganhou dimensão científica meses depois, com a publicação de um artigo na revista Marine Biodiversity, do grupo Springer Nature. Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) com xantismo já descrito no mundo.
Duas mutações raríssimas no mesmo animal
O que torna o caso ainda mais intrigante é a combinação de duas condições genéticas extremamente raras. A pele amarelo-alaranjada indica xantismo, caracterizado pelo excesso de pigmentos amarelos. Já os olhos completamente brancos apontam para o albinismo, causado pela ausência de melanina. Juntas, essas alterações produziram um visual quase surreal.
“Não conseguimos acreditar no que estávamos vendo”, relatou o pescador Garvin Watson em entrevista ao Live Science. “Era um tubarão laranja, brilhando sob a luz.”
O estudo contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Para a equipe, o mais surpreendente é que o animal atingiu a fase adulta, apesar de não contar com a camuflagem natural típica da espécie — uma possível desvantagem evolutiva.
Normalmente, o tubarão-lixa tem coloração marrom e olhos escuros, o que facilita a caça e a proteção contra predadores. O fato de esse exemplar ter sobrevivido sugere que, ao menos nesse caso, o xantismo não comprometeu sua adaptação ao ambiente.
Agora, cientistas investigam se fatores ambientais, como a temperatura da água — registrada em 31,2 °C —, podem ter influenciado essa mutação inédita. Uma descoberta que, por enquanto, parece coisa de ficção científica.





