Uma planta considerada altamente invasora está se espalhando com rapidez pelo Sul do Brasil e acendendo um alerta entre ambientalistas, comunidades tradicionais e autoridades.
Trata-se do pinus, um tipo de pinheiro exótico que, apesar do uso comercial, provoca impactos severos nos ecossistemas onde se instala. Em áreas de Mata Atlântica, a espécie se multiplica sem controle, altera a composição do solo e dificulta o crescimento de vegetação nativa, afetando toda a cadeia ambiental local.
Espécie da planta avança sobre áreas protegidas e ameaça a mata nativa
No Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis, uma operação iniciada nesta semana começou a retirar exemplares da planta que já ocupam uma parte significativa do território.
Estimativas indicam que cerca de 30% da área tradicionalmente ocupada por uma comunidade quilombola está tomada pelo pinus. O parque, que possui mais de 960 hectares, é uma das maiores unidades de conservação da capital catarinense e abriga fragmentos importantes da Mata Atlântica.
Especialistas explicam que o pinus acidifica o solo, impede o surgimento de arbustos e reduz a biodiversidade, criando um ambiente hostil para espécies nativas. O avanço desordenado da planta também aumenta o risco de incêndios e altera o regime hídrico das áreas onde se estabelece.
Desde 2022, a região é oficialmente reconhecida como território quilombola, o que garante à comunidade participação direta nos processos de recuperação ambiental. A retirada das árvores está sendo feita de forma gradual, com a proposta de replantio de espécies nativas, combinando conhecimento técnico e saberes tradicionais.
A Justiça Federal determinou que o governo estadual conclua a titulação definitiva da área e assegure o uso pleno do território pela população local. O Estado argumenta que a regularização poderia comprometer a função ambiental do parque, mas a decisão judicial aponta que a preservação pode caminhar junto com a gestão comunitária no país.





