Conhecida pelas ondas perfeitas, pela água gelada e pelo visual que atrai turistas do mundo inteiro, a Praia da Joaquina, em Florianópolis, infelizmente, ganhou um título inesperado. Pela primeira vez, o tradicional point do surfe apareceu como impróprio para banho no relatório semanal do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), divulgado na última sexta-feira (16).
O documento aponta que a Joaquina integra a lista de 29 pontos considerados inadequados para os banhistas na capital catarinense. A coleta foi realizada em frente ao posto de salva-vidas, após uma chuva leve e com vento soprando para o oeste. O resultado acendeu o alerta: foram encontrados 1.376 Escherichia coli por 100 mililitros de água, bactéria que indica contaminação fecal.
De cartão-postal a foco de preocupação ambiental
Pelas regras do IMA, uma praia é classificada como imprópria quando mais de 20% das amostras das últimas cinco semanas ultrapassam 800 E. coli por 100 ml, ou quando a última coleta passa de 2.000. A última vez que a Joaquina havia recebido essa classificação foi em outubro de 2024, também após períodos de chuva.
Com cerca de três quilômetros de faixa de areia, a Joaquina é considerada um dos berços do surfe no Brasil e já sediou competições internacionais desde os anos 1970. Nos últimos anos, porém, moradores e frequentadores têm relatado problemas recorrentes de poluição.
Entre as principais causas estão tubulações de drenagem pluvial que despejam líquidos escuros e com mau cheiro no mar, levantando suspeitas de ligações clandestinas à rede de esgoto. Outro ponto crítico é o sistema de bombeamento da Lagoa da Conceição, que pode liberar efluentes nas dunas em períodos de chuva intensa.
A isso se somam a presença de microplásticos, o acúmulo de lixo após festas clandestinas e o descarte irregular de resíduos. O cenário tem motivado denúncias, investigações do Ministério Público e monitoramento por universidades.





