Nos últimos meses, a Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo, começou a perder parte de seus detentos mais conhecidos do público. Entre novembro e dezembro do ano passado, cinco presos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional foram transferidos para outras unidades.
O movimento, discreto e pouco divulgado, ocorre após o sucesso da série homônima no Prime Video, que reacendeu o rótulo de “presídio dos famosos” e ampliou a exposição dos internos. A estratégia, segundo apuração de bastidores, é diluir a concentração de nomes conhecidos e reduzir o impacto da curiosidade pública dentro da rotina carcerária.
Quem saiu de Tremembé e por quê
Condenado por estupro, o ex-jogador Robinho deixou a unidade em novembro, após solicitar a transferência por meio de sua defesa. Ele alegou desconforto com a superexposição, boatos internos e a convivência forçada com outros detentos famosos.
Situação semelhante foi relatada por Thiago Brennand, também condenado por crimes sexuais, que pediu para ser encaminhado a uma penitenciária especializada nesse tipo de delito.
Já o ex-policial militar Ronnie Lessa, que confessou participação no assassinato da vereadora Marielle Franco, foi transferido depois de sucessivos pedidos de sua equipe jurídica.
O argumento principal foi o receio por sua segurança, sobretudo após o acordo de colaboração firmado com as autoridades. O empresário Fernando Sastre, réu por homicídio após um acidente de trânsito fatal, também deixou Tremembé e seguiu para outra unidade no fim do ano.
O mesmo destino teve Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker de Araraquara, condenado por invadir sistemas do CNJ. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, as movimentações seguem protocolos internos e não indicam privilégios.
A Defensoria Pública afirma que mudanças no perfil das unidades têm provocado transferências em massa no estado. Com isso, a fama de Tremembé começa a se diluir gradualmente no sistema prisional.





