Na última semana, a Rússia voltou a ganhar os holofotes ao anunciar progressos em uma vacina contra o câncer colorretal. A chefe da Agência Federal de Medicina e Biologia (FMBA), Veronika Skvortsova, afirmou que o imunizante estaria “pronto para uso” após testes pré-clínicos considerados positivos.
O anúncio foi feito durante o Fórum Econômico do Leste, em Vladivostok, mas especialistas de diferentes países pedem cautela. Isso porque, até agora, nenhum estudo foi publicado em revistas científicas, o que impede a comunidade médica internacional de avaliar os dados, a metodologia e os resultados apresentados pelo governo russo.
O que diz a Rússia
Segundo Skvortsova, a pesquisa durou “vários anos”, sendo os três últimos dedicados aos testes pré-clínicos obrigatórios. Agora, a vacina estaria pronta para passar à fase de ensaios clínicos em humanos, ainda sem prazo definido para começar.
Posição dos especialistas brasileiros
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) acompanha o caso, mas alerta que ainda não há base científica sólida para considerar a vacina eficaz e segura.
Em nota, a entidade destacou que:
- Sem publicações científicas, não há como confirmar a eficácia ou a segurança da vacina.
- Ensaios clínicos em humanos ainda não começaram, e não há clareza sobre quando terão início.
- Outras vacinas contra o câncer já estão em fases avançadas em países como Estados Unidos e Alemanha, seguindo protocolos internacionais de transparência em plataformas como o clinicaltrials.gov.
- Rigor científico é indispensável, qualquer terapia precisa passar por estudos clínicos de fase 1, 2 e 3 antes de chegar aos pacientes.
Quando chega ao Brasil?
A resposta é curta, ainda não há previsão. Sem dados publicados, aprovação de agências regulatórias e início dos testes clínicos em humanos, não existe prazo oficial para que a vacina russa chegue ao mercado internacional, e muito menos ao Brasil.
Por enquanto, a recomendação da SBOC é de cautela. Avanços científicos são sempre bem-vindos, mas só podem ser incorporados à prática clínica depois de comprovados com segurança, eficácia e transparência.





