O Bolsa Família vive um momento de pressão inédita nesta gestão: 987,6 mil famílias estão habilitadas, mas aguardando liberação do benefício, segundo dados de novembro.
É o maior volume desde julho de 2022 e marca cinco meses seguidos de aumento na fila — um movimento que acende alerta entre especialistas e prefeituras.
Fila de espera já chegou a ser maior em 2021
Apesar do salto, o número não indica piora generalizada na economia. O próprio governo reconhece que o principal motivo do acúmulo é um represamento nas concessões, resultado de cruzamentos cadastrais e revisões que vêm sendo feitas desde o início do ano.
Na prática, pessoas que já têm direito ao benefício permanecem esperando pela inclusão efetiva na folha de pagamento.
A atual fila, de quase 1 milhão de famílias, é a maior do governo Lula, mas não a maior da série histórica. Em dezembro de 2021, ainda na gestão Jair Bolsonaro, o total de habilitados sem receber chegou a 2,8 milhões. Ao longo da última década, picos acima de 1 milhão também já foram registrados em diferentes períodos.
Mesmo com o orçamento robusto — cerca de R$ 146 bilhões já executados em 2025 — o programa passou por um enxugamento. O número de beneficiários caiu para 18,7 milhões, o menor patamar desde 2022. O governo atribui essa redução a uma força-tarefa de revisão cadastral para eliminar inconsistências, mas ainda não detalhou quando o ritmo de liberações voltará ao normal.
Enquanto isso, milhares de famílias seguem aguardando. Prefeituras relatam aumento na procura por assistência social e queixas de quem já passou por todas as etapas obrigatórias, mas ainda não recebeu resposta.
Sem previsões oficiais claras, o cenário indica que o acumulado pode crescer nos próximos meses, pressionando o governo por mais transparência e rapidez na análise dos cadastros.





