O Brasil registrou, no terceiro trimestre de 2025, a menor taxa de desemprego desde 2012.
Mas os números escondem um problema persistente: o Nordeste continua sendo a região com mais pessoas sem trabalho, concentrando sete dos dez estados com os piores índices de desocupação, segundo a PNAD Contínua Trimestral do IBGE.
Região do Nordeste é marcada por trabalhos “informais”
A taxa de desemprego na região é de 7,8%, bem acima da média nacional. Em comparação, Norte tem 6,2%, Sudeste 5,3%, Centro-Oeste 4,4% e Sul apenas 3,6%. No Nordeste, são 8,3 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 2 milhões de desempregados.
Pernambuco lidera com 10% da população sem emprego, e a região ainda conta com 1,6 milhão de desalentados — pessoas que desistiram de procurar trabalho — e 6,9 milhões de subutilizados, ou seja, que trabalham menos do que poderiam.
O desemprego constante na região está ligado à falta de dinamismo econômico e à pobreza histórica, o que faz com que a economia do Nordeste não gere empregos e renda rápido o suficiente para alcançar a média nacional.
Essa realidade ajuda a entender a forte dependência da população em programas sociais. O IBGE aponta que, dos 18,8 milhões de domicílios na região, 8,7 milhões de famílias recebem o Bolsa Família e 2,3 milhões recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
O mercado de trabalho nordestino é marcado por informalidade: além dos 8,3 milhões de formais, há 7 milhões de trabalhadores informais e 5,5 milhões de autônomos. Com isso, o salário médio da região é de R$ 2.400, bem inferior ao do Sudeste (R$ 3.900) e do Sul (R$ 4.000).
A desigualdade tem raízes históricas, com concentração industrial no Sudeste e Sul desde o início do século XX. O PIB per capita do Nordeste, hoje em R$ 27.680, ainda é metade da média nacional e muito abaixo do Sudeste, reforçando a dificuldade da região em gerar crescimento econômico e empregos.





