Um satélite desenvolvido pela NASA em parceria com a agência espacial francesa CNES registrou, no meio do Oceano Pacífico, a maior onda já medida por satélite em mar aberto. O fenômeno atingiu 19,7 metros de altura — equivalente a um prédio de seis andares — e foi provocado pela tempestade Eddie, considerada uma das mais intensas da última década.
A imagem foi capturada em 21 de dezembro de 2024 pelo satélite SWOT, missão criada para mapear a superfície dos oceanos com alta precisão. Diferente de equipamentos anteriores, o sistema consegue medir altura, direção e comprimento das ondas em tempo real, inclusive em regiões remotas onde navios e boias não alcançam.
Tempestade espalhou ondas por até 24 mil quilômetros
O estudo foi conduzido pelo oceanógrafo Fabrice Ardhuin, do Laboratório de Oceanografia Física e Espacial da França, e publicado na revista científica PNAS. Segundo os pesquisadores, o evento revelou novas informações sobre como a energia das tempestades atravessa oceanos inteiros.
Os cientistas afirmam que as ondas geradas pela tempestade Eddie viajaram cerca de 24 mil quilômetros após o pico do ciclone extratropical. O chamado “marulho” atravessou o Pacífico, passou pela região entre a América do Sul e a Antártica e alcançou áreas do Atlântico Tropical semanas depois.
Antes do SWOT, satélites monitoravam ondas desde 1991, mas nenhum havia registrado alturas superiores a 18,5 metros em mar aberto. A diferença, segundo a Agência Espacial Europeia, está na capacidade do novo sistema de cruzar diretamente o centro das tempestades.
Especialistas alertam que ondas extremas representam ameaça para navios cargueiros, plataformas marítimas e cabos submarinos. Os dados também ajudam cientistas a investigar se fenômenos desse porte podem se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.





