Parece até um insulto essa afirmação, não é mesmo? Mas, infelizmente, essa é uma verdade para diversos brasileiros. É o que mostra o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgado na quarta-feira, 13. Segundo os dados, 18,23 milhões de pessoas entre 30 e 39 anos, o que corresponde a 53,77% da população brasileira nessa faixa etária, estão negativadas.
No contexto geral, acompanhamento mostrou que, até o mês de abril, 74,82 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. Isso corresponde a 44,69% da população adulta no país, um recorde no Brasil. Outro ponto relevante é que, em média, a dívida dos cidadãos é de R$ 5.111,64. Além disso, os devedores costumam estar inadimplentes com pelo menos duas empresas. No entanto, a média não revela o cenário de todas as pessoas, já que 41,75% têm dívidas de até R$ 1.000,00.
Para se ter ideia do tamanho do problema e do crescimento acelerado no número de endividados no Brasil, só entre março e abril houve um aumento de 0,81% na quantidade de inadimplentes. Em relação a quem deve mais, homens ou mulheres, a diferença é pequena, sendo 48,61% homens e 51,39% mulheres.
Autoridade pede reforma para ampliar renda real no Brasil
Em fala destacada pelo portal Terra, José César da Costa, presidente da CNDL, afirmou que a ausência de uma margem de segurança na renda das famílias brasileiras faz com que qualquer imprevisto as coloque em um cenário de dívida muito difícil de ser revertido.
Por isso, há a necessidade de ser feita uma reforma para que a renda do trabalhador seja ampliada. Caso contrário, as pessoas continuarão vivendo no que ele chamou de “porta-giratória”, ou seja, limpando o nome hoje e sujando amanhã.
Inadimplência por região
O cenário da inadimplência no Brasil apresenta disparidades geográficas marcantes: enquanto o Norte lidera o ranking com quase metade da sua população adulta (48,58%) negativada, o Sul registra o menor índice, com 40,69%.
Diretrizes para recuperação financeira
Segundo Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, a regularização do CPF demanda estratégia técnica. Ele orienta que o devedor deve mapear seus débitos, dando precedência aos que possuem juros elevados ou garantias reais. Pellizzaro enfatiza a necessidade de medir a “viabilidade de pagamento” antes de firmar compromissos, evitando que as parcelas sufoquem as despesas essenciais. A recomendação central é trocar juros abusivos por linhas de crédito mais suaves e suspender o uso de cartões e cheque especial até a estabilização das contas.
Fatores de pressão em abril
No mês de abril, o volume de contas em atraso subiu 1,94%. O maior salto foi observado nas faturas de serviços básicos (Água e Luz), que dispararam 22,38%. No que diz respeito à fatia de mercado, o setor bancário continua sendo o principal destino das dívidas, detendo 66,65% do montante global.





