O Sistema Único de Saúde (SUS) seguirá sem oferecer a vacina contra o herpes-zóster no Calendário Nacional de Vacinação. A decisão foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 8 de janeiro, após recomendação técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
De acordo com o parecer, o principal fator que pesou contra a inclusão do imunizante foi o impacto financeiro. Apesar da reconhecida eficácia da vacina recombinante, especialmente em grupos de maior risco, como idosos acima de 80 anos e pacientes imunossuprimidos, o custo apresentado pelo fabricante foi considerado incompatível com a atual capacidade orçamentária do sistema público de saúde.
Avaliação econômica foi determinante
Segundo a análise técnica, o volume de recursos necessário para garantir a imunização do público prioritário não apresentou, no cenário atual, um equilíbrio satisfatório entre custo e benefício. Isso significa que, embora a vacina traga ganhos importantes em termos de prevenção e redução de complicações, o investimento exigido ainda não se mostra viável dentro das limitações do orçamento federal.
A Conitec destacou que a decisão levou em conta não apenas o preço do imunizante, mas também os gastos logísticos, operacionais e a sustentabilidade da política pública a longo prazo.
Possibilidade de reavaliação no futuro
O Ministério da Saúde informou que a negativa não é definitiva. A pasta avalia que uma nova análise poderá ser feita caso haja redução no valor da vacina ou mudanças nas condições comerciais oferecidas pelos laboratórios. Além disso, o surgimento de novas evidências científicas que alterem o entendimento sobre o impacto econômico da doença também pode levar à reabertura do processo de avaliação.
Entenda o que é o herpes-zóster
Conhecido popularmente como “cobreiro”, o herpes-zóster é causado pela reativação do vírus da catapora, que permanece adormecido no organismo após a infecção inicial. A doença se manifesta, em geral, por meio de lesões na pele acompanhadas de dor intensa, formigamento e ardência, normalmente concentradas em apenas um lado do corpo ou do rosto.
Além das bolhas características, o quadro pode provocar mal-estar geral e, em alguns casos, evoluir para complicações, como a neuralgia pós-herpética, uma dor persistente que pode durar meses. Por isso, o problema representa um desafio relevante para a saúde pública, especialmente entre idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Enquanto a vacina segue fora do calendário do SUS, especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce, que ajudam a reduzir a gravidade dos sintomas e o risco de complicações.





