A medicina norte-americana pode estar prestes a dar um passo histórico. A agência reguladora FDA autorizou que a empresa de biotecnologia eGenesis inicie testes clínicos de transplante de rins de porcos geneticamente modificados em humanos, segundo a CNN.
A aprovação abre caminho para que o xenotransplante — uso de órgãos animais em pessoas — avance de casos isolados para estudos em maior escala.
O avanço dos xenotransplantes
Até agora, rins e corações de porcos foram usados em pacientes que não tinham outras opções de transplantes, tudo sob uma autorização especial. Em março de 2024, Rick Slayman, de 62 anos, se tornou o primeiro paciente vivo a receber um rim de porco geneticamente editado, no Hospital Geral de Massachusetts, mas faleceu dois meses depois por causas não ligadas ao órgão.
Outros procedimentos recentes permitiram que pacientes vivessem sem diálise por semanas ou meses, com resultados mistos, mas promissores para avanços nos estudos de xenotransplantes.
Os porcos da eGenesis são editados com a ferramenta CRISPR, que remove o gene responsável por um carboidrato chamado alfa-gal, causador de rejeição imediata em humanos. Com essa modificação, os órgãos tornam-se mais compatíveis com receptores.
A demanda é urgente: mais de 100 mil pessoas aguardam transplantes nos EUA, sendo 86% delas à espera de um rim. O tempo médio de espera pode chegar a dez anos para quem tem sangue tipo O.
Agora, com a autorização do FDA, a eGenesis pretende transplantar 33 pacientes nos próximos dois anos e meio. Outra empresa, a United Therapeutics, também deve iniciar seus próprios testes em breve.
Especialistas acreditam que a nova fase de estudos poderá comprovar a viabilidade do uso de rins de porco em larga escala. Para pacientes em lista de espera, a perspectiva pode parecer, ao mesmo tempo, bizarra e milagrosa.





