Em meio a discussões políticas relacionadas a possibilidade de zerar as passagens, atualmente 143 municípios já adotam a chamada tarifa zero para toda a população, beneficiando cerca de 6,7 milhões de pessoas, segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
O estudo mostra que outras 43 cidades também oferecem algum tipo de gratuidade, seja para grupos específicos ou em determinadas situações. A expansão do modelo ganhou força nos últimos anos e transformou o debate sobre mobilidade urbana no país.
Entre 2021 e 2023, o número de municípios com transporte gratuito cresceu rapidamente, com a adesão de 70 novas cidades. Em 2024, outras oito iniciativas foram implementadas. Já em 2025, foram registrados 21 novos programas. Para a NTU, a desaceleração observada recentemente não representa uma perda de interesse, mas sim uma fase de maior avaliação sobre os desafios da política pública.
Maioria das cidades com tarifa zero tem menos de 50 mil habitantes
A pesquisa revela que a gratuidade é mais comum em municípios de pequeno porte. Das 143 cidades que oferecem passe livre universal, 104 possuem até 50 mil habitantes. Outras 25 têm entre 50 mil e 100 mil moradores, enquanto apenas 14 ultrapassam a marca de 100 mil habitantes.
O levantamento também identificou que oito municípios desistiram da política e voltaram a cobrar passagem nos últimos anos. Entre eles estão Jaboticabal, Paulínia e Monte Mor, em São Paulo, além de cidades do Paraná, Rio de Janeiro e Piauí.
Apesar do avanço da tarifa zero, especialistas apontam desafios para sua manutenção. Segundo estimativas da NTU, o custo anual do transporte coletivo no Brasil ultrapassa R$ 90 bilhões.
Caso a gratuidade universal fosse ampliada nacionalmente, o valor poderia chegar a quase R$ 109 bilhões por ano, exigindo novas fontes de financiamento e cooperação entre União, estados e municípios para garantir a sustentabilidade do sistema.





