Uma declaração do empresário Luciano Hang voltou a colocar o debate sobre programas sociais e mercado de trabalho no centro das discussões econômicas. Conhecido popularmente como “Véio da Havan”, o dono da rede varejista afirmou que está faltando mão de obra no país e apontou que o assistencialismo, por meio de programas como o Bolsa Família, pode estar gerando essa escassez, pois as pessoas estariam se acostumando a ganhar R$ 600, enquanto elas, segundo ele, têm a oportunidade de trabalhar na Havan e receber de R$ 3.000 a R$ 5.000. Nesse caso, ao serem contratadas, teriam que deixar de lado o benefício do governo federal.
A fala ocorreu durante a inauguração de uma unidade da empresa em Taquara, no Rio Grande do Sul, e rapidamente repercutiu nas redes sociais. O magnata brasileiro ainda afirmou que a própria Havan tem encontrado dificuldades para contratação, cenário que, na visão do empresário, afeta diferentes segmentos da economia brasileira.
Escassez de mão de obra amplia debate sobre vagas abertas no país
As declarações de Luciano Hang acontecem em um contexto maior enfrentado por parte do setor produtivo brasileiro: a dificuldade crescente para preencher postos de trabalho. Empresas de diferentes segmentos vêm relatando obstáculos para contratar, seja por falta de profissionais qualificados, incompatibilidade salarial ou baixa procura por determinadas vagas.
Esse cenário criou uma preocupação econômica adicional. Quando posições permanecem abertas por muito tempo, empresas podem enfrentar redução operacional, aumento de custos e limitações para expansão. Para Hang, a diminuição da disponibilidade de trabalhadores no mercado formal ajuda a explicar esse movimento, motivo pelo qual ele defende o emprego como mecanismo central para elevar renda familiar e estimular atividade econômica.
Contratação de profissionais mais velhos ganha espaço nas estratégias das empresas
A ampliação das oportunidades para trabalhadores acima dos 60 anos deixou de ser apenas pauta social e passou a fazer parte das estratégias de recrutamento de muitas empresas. Especialistas em recursos humanos apontam que equipes compostas por diferentes faixas etárias tendem a ampliar troca de conhecimento e fortalecer processos internos.
Entre os fatores mais citados estão experiência acumulada, maior familiaridade com ambientes corporativos, comprometimento profissional e capacidade de transmitir conhecimento para equipes mais jovens. Por causa disso, programas voltados à inclusão etária vêm crescendo principalmente em setores administrativos, atendimento ao cliente e treinamento corporativo.
Falas do empresário dividem opiniões e ampliam discussão sobre assistência social
As declarações rapidamente ultrapassaram o ambiente empresarial e passaram a gerar forte repercussão nas redes sociais. Parte do público concorda que ampliar empregos formais pode fortalecer a economia e reduzir dependência de programas sociais. Outra parcela argumenta que benefícios assistenciais continuam exercendo papel importante para famílias que enfrentam vulnerabilidade econômica.
O debate, porém, vai além da comparação entre emprego e assistência. Especialistas frequentemente apontam que fatores como qualificação profissional, renda oferecida, localização das vagas e condições de trabalho também influenciam diretamente a capacidade de inserção no mercado, especialmente para trabalhadores mais velhos ou pessoas em situação de maior fragilidade social.





