Você é uma pessoa que teve a experiência de brincar na rua quando era criança? Se sim, saiba que segundo a psicologia, você tem resiliência emocional, ou seja, capacidade de lidar com mudanças, momentos de frustação e tensão, sem que “o mundo se acabe”.
Um estudo publicado na revista científica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, por exemplo, analisou o papel do brincar livre no desenvolvimento infantil e concluiu que esse tipo de atividade atua como mecanismo de construção de resiliência.
Segundo os autores, o brincar não estruturado permite que a criança enfrente situações desafiadoras de forma espontânea, o que fortalece sua capacidade de adaptação emocional ao longo do tempo, ou seja, a resiliência não surge de ensino formal, mas da vivência prática de conflitos, decisões e frustrações dentro das brincadeiras.
Autonomia e habilidades sociais na prática
Outro ponto central desse tipo de vivência está no desenvolvimento da autonomia. Diferente de ambientes altamente supervisionados, as brincadeiras de rua exigiam organização coletiva, definição de regras e resolução de conflitos entre os próprios participantes.
Um estudo publicado na revista científica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul comparou ambientes de brincadeiras estruturadas e semiestruturadas e identificou que, em contextos mais livres, há maior ocorrência de interações simbólicas e comportamentos exploratórios entre crianças.
Com o tempo, essas experiências contribuem para a formação de indivíduos mais preparados para lidar com situações imprevisíveis e relações interpessoais diversas.
O que muda em comparação com a infância atual
Esses pontos levantados pela psicologia também podem nos trazer para uma reflexão sobre a diferença que existe das crianças de antigamente para às gerações mais recentes. Com o avanço da tecnologia e mudanças no estilo de vida, as oportunidades de brincadeiras livres diminuíram, sendo substituídas por atividades mais estruturadas ou mediadas por telas.
Essa mudança altera o tipo de estímulo recebido durante a infância. Enquanto o ambiente livre favorece adaptação e improviso, contextos mais controlados tendem a reduzir a exposição a situações desafiadoras do ponto de vista emocional.





