Terra
A vilã Pilar (Izabel Teixeira) tem dado o que falar na novela Quem Ama Cuida, da Rede Globo, especialmente pelas suas crueldades com a protagonista Adriana (Letícia Colin). Recentemente, a herdeira apresentou seu novo xodó para a família: a cachorrinha Maria Antonieta.
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Uma cena em questão levantou a curiosidade de internautas. Em determinado momento, Pilar pede para que uma funcionária ofereça caviar para a cachorrinha. Cenas dos bastidores mostraram, inclusive, que o animal recusou o alimento durante as gravações. Mas, afinal, cachorros podem comer caviar?
Renata Beranger, infectologista e médica veterinária, explica ao Terra que o caviar não está entre os alimentos considerados diretamente tóxicos para os cães. Isso, porém, não significa que ele seja adequado ou que possa ser oferecido sem riscos.
"O principal problema é a quantidade de sal utilizada na conservação. O caviar tradicional pode conter aproximadamente 1.500 miligramas de sódio a cada 100 gramas. Uma colher de sopa, com cerca de 16 gramas, pode ter por volta de 240 miligramas de sódio, embora os valores variem conforme a marca e o produto", diz.
De acordo com a especialista, um cão adulto e saudável que consuma acidentalmente algumas poucas ovas provavelmente não apresentará um problema grave. Ainda assim, não existe uma recomendação veterinária que estabeleça quantas vezes por semana o caviar poderia ser oferecido.
"Por isso, não recomendo transformá-lo em petisco semanal. Trata-se de um alimento que não oferece ao cão nenhum benefício que não possa ser obtido de maneira mais segura por meio de uma alimentação completa e balanceada. O cuidado deve ser ainda maior com cães que tenham doenças cardíacas, renais ou hepáticas, hipertensão, obesidade, problemas gastrointestinais ou histórico de pancreatite", acrescenta.
A médica veterinária alerta que é preciso verificar a composição do produto, especialmente àqueles que possuam alho, cebola, temperos variados, molhos ou ingredientes adicionais que não devem ser oferecidos a cães.
Quais os efeitos colaterais?
A quantidade de sal no caviar pode causar aumento da sede e da produção de urina do cão. Quantidades maiores podem causar vômitos, diarreia, fraqueza e alterações no equilíbrio de sódio do organismo.
"Os efeitos dependem da quantidade ingerida, do tamanho do cão, da composição do produto e das condições de saúde do animal. A intoxicação grave por sal é menos provável quando o animal tem os mecanismos de regulação preservados e acesso livre à água fresca', afirma.
Ingestões elevadas que possam provocar alterações gastrointestinais e neurológicas precisam de atendimento veterinário. Como o caviar também contém gordura e calorias, porções maiores podem causar indisposição digestiva, especialmente em cães que não estão acostumados a receber alimentos diferentes da dieta habitual.
Outro ponto de atenção é que alimentos crus de origem animal podem expor o cão a bactérias e também contaminar as mãos, os utensílios e o ambiente da casa.
Existe quantidade segura de caviar para cães?
A médica veterinária ressalta que não existe uma quantidade de caviar cientificamente estabelecida como segura para cães. Por isso, não é possível indicar uma colher, uma porção por quilo de peso ou uma frequência semanal com segurança.
"Algumas poucas ovas, oferecidas uma única vez a um cão adulto e saudável, provavelmente não causarão problemas. Essa é, porém, uma avaliação prática de baixo risco, e não uma dose validada por estudos. Além disso, o tamanho do animal faz diferença. O que parece uma quantidade pequena para uma pessoa pode representar uma ingestão proporcionalmente muito maior para um cão de dois ou três quilos", acrescenta.
Petiscos e alimentos complementares devem representar, de forma geral, no máximo 10% das calorias diárias do cão. Os demais 90% devem vir de uma dieta completa e balanceada. Portanto, o caviar não precisa ser tratado como um veneno, mas também não deve ser incentivado como petisco.
Quais alimentos diferentes da ração um cachorro pode consumir?
A especialista afirma que é difícil apontar um alimento que seja completamente isento de risco para todos os cães, até porque é preciso levar em consideração as diferenças de idade, peso, estado de saúde, alergias, intolerâncias e necessidades nutricionais.
Para um cão saudável, pequenas quantidades de alguns alimentos geralmente podem ser oferecidas ocasionalmente, desde que estejam frescos, bem preparados e sem sal, açúcar, molhos ou temperos. Entre as opções que podem ser oferecidas estão:
Esses alimentos devem ser utilizados como complementos ou petiscos, e não como substitutos improvisados da alimentação principal. Caso o tutor de um cão deseje seguir uma dieta mais caseira, é preciso que essa alimentação natural seja formulada por um médico-veterinário com atuação em nutrição.
Entre os alimentos que devem ser totalmente evitados estão chocolate, uvas, passas, cebola, alho, alho-poró, cebolinha, macadâmia, bebidas alcoólicas, cafeína, massas cruas com fermento e produtos com xilitol. Ossos também não são petiscos inofensivos. Eles podem causar fraturas nos dentes, engasgos, obstruções e lesões no aparelho digestivo.
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