Yasmin Gregorio*
O professor acusado de apontar para um aluno negro de 13 anos ao ser questionado sobre com quem se parecia a imagem de um chimpanzé foi condenado a sete anos e três meses de prisão pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (2), pela Justiça de Alagoas, no mesmo dia em que estava prevista a audiência de instrução do processo.
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Relembre o caso
O caso aconteceu em 12 de fevereiro deste ano, dentro de uma escola particular no Benedito Bentes, em Maceió. Segundo a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), o professor dava aula para uma turma do 8º ano quando um estudante mostrou um caderno com a imagem de um chimpanzé e perguntou com quem o animal se parecia. O professor, então, apontou para o adolescente negro de 13 anos. Confira o vídeo abaixo:
Segundo o relato prestado pelo adolescente à polícia, o docente também teria dito “parece com esse aqui”. Outros estudantes que estavam na sala confirmaram o episódio durante a investigação.
Após o caso, o adolescente relatou ter ficado abalado e disse que passou a ser alvo de chacotas na escola. Segundo o MPAL, ele chegou a resistir em voltar para as aulas e só retornou depois que soube do afastamento do professor.
Professor admitiu ter apontado para o aluno
Durante a investigação, o professor reconheceu que havia apontado para o adolescente, mas negou que tivesse intenção racista. A situação ocorreu na presença de outros estudantes, que também teriam reagido ao episódio.
O Ministério Público, porém, sustentou que a situação ultrapassou uma brincadeira e apresentou denúncia contra o professor.
"A escola não pode ser espaço de reprodução ou naturalização do racismo”, afirmou o promotor de Justiça Ricardo Libório.
O órgão também pediu que ele fosse impedido de exercer atividades que envolvessem contato direto com crianças e adolescentes.
Além da pena de sete anos e três meses de prisão, a sentença determinou o pagamento de R$ 15 mil de indenização à vítima.
O MPAL informou que a ação foi conduzida pelas 59ª e 60ª Promotorias de Justiça da Capital, por meio dos promotores Ricardo Libório e Dalva Tenório. O caso tramita na Justiça e a decisão ainda está sujeita aos recursos previstos em lei.
*Estagiária sob supervisão.
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