Advogado suspeito de liderar esquema de golpes em AL já foi preso por sonegação fiscal

Publicado em 15/04/2026, às 12h48
Reprodução/Video
Reprodução/Video

Por Redação

Um advogado foi preso em Alagoas, suspeito de liderar uma organização criminosa que movimentou cerca de R$ 80 milhões em golpes de estelionato, utilizando sua posição na OAB para enganar vítimas com falsas promessas de compra de imóveis.

As investigações revelaram que o advogado já havia sido preso em 2019 por sonegação fiscal e que ele e sua esposa, além de outros familiares, estão envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro, com pelo menos 14 boletins de ocorrência registrados contra ele.

A operação 'Dr. Golpe' resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de empresas de fachada, com a polícia continuando a investigação para descobrir mais envolvidos e realizar bloqueios financeiros.

Resumo gerado por IA

O principal alvo da operação "Dr. Golpe", um advogado suspeito de liderar uma organização criminosa especializada em estelionato, já havia sido preso no ano de 2019 na ação policial de nome "Fruto Proibido". À época, ele e a esposa foram investigados por sonegação fiscal, pois teriam trazido bens de fora do país sem o pagamento dos tributos devidos. A informação foi passada pela polícia durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (15).

O advogado foi detido no município de Barra de São Miguel, no Litoral Sul de Alagoas, no início desta manhã. As investigações apontaram que ele está regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e utilizava a carteira profissional para a prática de golpes. De acordo com a polícia, o suspeito também se apresentava como corretor de imóveis e falsificava documentos para fazer com que vítimas adquirissem bens, sem recebê-los.

"Ele utilizava da prerrogativa de ser advogado para ludibriar as vítimas. Ele inventava processos judiciais que estavam sendo ganhos, alegava que havia alguma taxa que tinha que ser paga para desbloquear a venda de um imóvel na Justiça, por exemplo, e conseguia enganar essas vítimas", iniciou o delegado Dalberth Pinheiro.

"Há mais de 14 boletins de ocorrência registrados contra ele, todos com um prejuízo patrimonial relevante. Apenas duas vítimas somaram o prejuízo superior a 8 milhões de reais", complementou ao destacar que o suposto líder do grupo criminoso movimentou cerca de R$ 80 milhões.

O delegado afirmou ainda que a esposa do advogado e outros familiares também são suspeitos do crime de estelionato. "Existem pessoas que lavavam dinheiro com grau de parentesco. A esposa dele, um dos tios que recebia quantias grandes de dinheiro, além de irmãos. Fora essas outras pessoas", declarou.

Ao todo, a investigação identificou ao menos oito supostos integrantes da organização criminosa. "Esses indivíduos realizavam a lavagem de dinheiro junto do líder. Eles apresentavam as vítimas para o advogado, procuravam quem tinha um potencial, uma grande capacidade financeira. O advogado demonstrava ter um padrão de vida elevado, ostentando veículos de luxo, para enganar as novas vítimas. Era como uma pirâmide. Ele pegava o dinheiro de outras vítimas e utilizava para enganar essas novas".

Como funcionava

As vítimas eram enganadas por meio de falsos processos judiciais, cobranças indevidas de taxas e promessas fraudulentas de facilitação na compra de imóveis, com uso de documentação falsificada. 

A delegada Michelly Santos, que também esteve à frente da operação Dr. Golpe, especificou como era a dinâmica. "A busca [pelas vítimas] era feita pelos laranjas e os valores eram transferidos para depois retornar para o "cabeça", o advogado. Eles tinham um sistema de lavagem bem elaborado. Nessa operação conseguimos a apreensão de veículos de luxo, de alto valor, e serão feitos bloqueios financeiros".

As empresas de fachada e também o nome de outras pessoas jurídicas que recebiam quantias em dinheiro foram identificadas. A investigação ainda está em andamento e outros envolvidos podem aparecer ao longo das apurações.

OAB se pronuncia

Por meio de nota divulgada nesta quarta-feira (15), a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL) informou que acompanha, por meio da Comissão de Prerrogativas, o caso do suposto esquema de golpes envolvendo o advogado. A entidade afirmou que irá assegurar o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, mas ressaltou que, caso eventuais irregularidades sejam comprovadas, adotará as medidas cabíveis.

Gostou? Compartilhe