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Jornalista José Inácio Pilar:
"As contas do governo brasileiro fecharam junho no vermelhopelo segundo mês seguido, e o resultado reforça um problema que já dura o primeiro semestre inteiro: o país arrecada mais, mas gasta ainda mais rápido.
Segundo o Tesouro Nacional, o rombo nas contas públicas somou 48,2 bilhões de reais no mês, valor que representou aumento em relação ao mesmo mês de 2025 e é o maior déficit registrado para o mês desde 2023, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Sozinha, a Previdência Social concentrou a maior parte do rombo, com despesas em benefícios superando de longe as receitas do sistema.
No acumulado do primeiro semestre, o rombo chegou a 92,2 bilhões de reais, o pior resultado para o período desde a pandemia, em 2020. Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado chegou a 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do PIB.
E a arrecadação não parou de crescer. As receitas líquidas do governo cresceram 10,3% em junho, impulsionadas em grande parte pelo desempenho dos tributos administrados pela Receita Federal.
O problema é que as despesas cresceram em ritmo parecido, e no acumulado do ano já sobem 12,3% acima da inflação, quase o dobro do avanço das receitas.
Uma fatia importante desse gasto extra vem dos investimentos públicos, que saltaram quase 66% no ano, segundo dados do Tesouro Nacional, um movimento típico de ano eleitoral, quando o governo costuma acelerar obras e repasses.
Ao mesmo tempo, uma fonte de dinheiro extra que ajudou o caixa em 2025, os dividendos pagos por estatais, praticamente secou: caiu de quase 25 bilhões de reais para pouco mais de 10 bilhões neste ano.
Para o mercado financeiro, o número em si não trouxe grande surpresa, mas mantém acesa a desconfiança dos investidores, inclusive internacionais, sobre até onde vai esse ritmo crescente de gastos públicos.
A meta oficial do governo para 2026 prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.
'Embora os indicadores recentes de inflação mostrem sinais claros de desaceleração, a política fiscal segue atuando em sentido contrário à política monetária. Em outras palavras, o resultado confirma que o principal desafio macroeconômico permanece sendo a coordenação entre uma política monetária ainda restritiva (juros altos) e uma política fiscal que continua significativamente expansionista (muitos gastos)', analisa Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence/DTVM."
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