por Theo Chaves
Publicado em 22/09/2026, às 14h52
A prisão de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como 'Boss', em Maceió, revelou a estrutura de uma rede de tráfico de drogas que operava entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), impactando diretamente as operações de segurança pública no Rio de Janeiro.
Laércio, que controlava a movimentação de drogas e finanças do grupo a partir de uma cobertura de luxo, tinha ligações com agentes públicos que facilitaram o tráfico, evidenciando a corrupção dentro das forças de segurança.
As investigações continuam, com a polícia buscando desmantelar a rede, que inclui a prisão de policiais militares e civis envolvidos, além de identificar empresas que ajudavam na logística do tráfico de drogas entre estados.
Um caderno de anotações do traficante Marcos Antônio Firmino da Silva, o "My Thor", um dos chefes do Comando Vermelho no estado do Rio de Janeiro, levou à prisão de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss. Ele foi localizado e preso em uma cobertura de luxo em Maceió, nessa segunda-feira (21).
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De acordo com a Corregedoria da Polícia Civil do RJ, as anotações detalhavam diversos pagamentos feitos por Marcos Antônio a Laércio. Mesmo preso na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), Marcos mantinha contato com Laércio, conhecido como "Boss", que controlava toda a compra e venda de drogas e as operações financeiras do grupo de dentro do próprio apartamento.
"Ele controla com mão de ferro a atuação desse grupo. É interessante dizer que ele também faz tudo isso do alto de sua cobertura em um prédio de luxo em Alagoas. De lá, ele conseguia negociar o fornecimento e a venda de entorpecentes, o recolhimento de valores respectivos e a ocultação desse patrimônio", explicou Alexandre Capote, corregedor-geral da Polícia Civil do RJ.
Ainda segundo as investigações, a ligação de Laércio com a cúpula do Comando Vermelho foi desvendada após a polícia descobrir o envolvimento de agentes públicos do estado do Rio de Janeiro com a facção criminosa.
De acordo o Ministério Público, um policial civil do RJ ajudou a movimentar uma quantia milionária de dinheiro em apenas dois anos. Outros dois policiais militares também foram alvos de mandados de prisão.
"O policial civil fazia parte dessa articulação, então ele fazia a ligação entre a origem da droga e sua distribuição no Rio de Janeiro e nos outros estados. Já os policiais militares, atuavam na parte de logística, supervisionando a parte operacional nas ruas, por exemplo, escolta de cargas e dos criminosos, além da segurança armada desse grupo", citou Décio Alonso, promotor de Justiça.
PM foi preso dentro de hospital
Um dos PMs preso seria um segundo sargento lotado no Batalhão do Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do RJ. Ele foi preso no trabalho, em hospital público na Barra da Tijuca.
As investigações ainda apontaram que empresas dos setores de transporte e logística também foram usadas para ocultar e viabilizar o envio de drogas para diferentes estados.
"Boss" era ponte de ligação para repasse de cocaína
A prisão de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", em Maceió, trouxe à tona o funcionamento de uma rede de tráfico de drogas monitorada há dois anos pelas forças de segurança. Apontado como um dos principais alvos da Operação Icarus, "Boss" desempenhava um papel estratégico no crime organizado: ele atuava como a ponte de ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
De acordo com a polícia, a principal função de Boss no esquema era viabilizar e operacionalizar o envio de grandes remessas de cocaína da facção paulista para comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
A articulação intermediada por "Boss" conectava traficantes e esquemas logísticos. Um dos envolvidos era o traficante Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como "My Thor", que participava ativamente das negociações de dentro do sistema prisional do Rio de Janeiro.
Na outra ponta estava o policial Paulo Rafael Fernandes, que segundo as investigações, utilizava uma empresa para efetuar os pagamentos das cargas de cocaína enviadas de São Paulo ao Rio.
O policial já havia entrado no radar das autoridades em abril deste ano, quando foi abordado por agentes no Amazonas, próximo à fronteira do Brasil com a Colômbia, a bordo de um avião fretado.
"Boss" seria o elo central entre My Thor e Paulo, que permitia a cooperação logística e financeira entre as duas maiores facções do país.
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