Polícia

Caso Roberta Dias: MP denuncia dois envolvidos em homicídio

Redação com Assessoria | 08/08/18 - 16h24 - Atualizado em 08/08/18 - 16h32
Roberta Dias desapareceu em 2012 e até hoje o seu corpo não foi encontrado | Arquivo Pessoal

Duas pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL) por envolvimento na morte da jovem Roberta Dias, que foi sequestrada quando estava grávida de um colega de colégio, no município de Penedo, em 2012.

Mary Jane Araújo Santos, de 51 anos, e Karlo Bruno Pereira Tavares, conhecido como “Bruninho”, de 24 anos, foram acusados de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e aborto provocado por terceiro.

Segundo o MPE-AL, a denúncia foi feita pelo promotor Sitael Jones Lemos, da 6ª Promotoria de Justiça de Penedo e direcionada para a 4ª Vara Criminal da Comarca do município ribeirinho.

Para o promotor de Justiça, a materialidade e  autoria dos crimes encontram-se comprovadas de forma inconteste nos autos, perante as evidências do conjunto probatório coligido na fase inquisitorial. Em relação aos demais possíveis envolvidos no caso, o agente ministerial aguardará novas diligências , já que entendeu que os esforços anteriores não foram suficientes para comprovar a participação. 


Conforme os autos, Mary Jane teria encomendado a morte de Roberta Dias. A mesma teria procurado a vítima nos dias anteriores ao dia do seu desaparecimento para convencê-la a provocar o aborto, o que foi descartado. Assim, revoltada, teria ela decidido colocar o plano criminoso em prática contratando Karlo Bruno para a autoria material. Roberta foi asfixiada com um fio de som automotivo, na presença de Saullo de Thasso Araújo dos Santos – filho de Mary Jane - com quem manteve um relacionamento amoroso e de quem estava grávida de três meses.

Roberta, de acordo com Lemos, foi atraída por Saullo ao local do seu desaparecimento, nas proximidades do posto de saúde onde tinha ido para consulta de pré-natal. Ele estava no veículo Gol, de cor preta, que escondia no porta-malas o criminoso. Para a conclusão do Ministério Público, foram ouvidas testemunhas e feitas várias quebras de sigilo telefônico, com aval da Justiça, comprovando contatos entre acusados e vítima, bem como a narração da barbárie por Karlo Bruno.

O promotor também requereu indeferimento do  pedido de prisão preventiva. Segundo ele, no contexto atual enxerga como desnecessária.

“O crime ocorreu há seis anos, os dois denunciados têm residência fixa, a Mary Jane já ficou um período em reclusão e a lei resguarda que podem ficar em liberdade, até que tudo seja concluído e devam ou não ser pronunciados e ir à júri”.

Já em relação a Saullo de Thasso, não foi denunciado , afirma o promotor Sitael Lemos, porque à época era de menoridade e foi representado na Vara da Infância e da Juventude.

O caso

Roberta Costa Dias desapareceu em abril de 2012, à época tinha 18 anos. O motivo do crime seria a  criança que estava esperando do filho de Mary Jane. Saulo, com quem Roberta teve relacionamento,  tinha 17 anos e a gravidez era indesejada por sua família. Ele e a mãe teriam atraído a vítima para uma rua nas proximidades do posto de saúde, onde tinha ido se consultar.

Até hoje o seu corpo não foi encontrado.